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quarta-feira, 28 de dezembro de 2016


Enel Green Power começa a construção do parque eólico de $ 215.000.000


Sierra Gorda parque eólico será localizado na cidade de mesmo nome, na região de Antofagasta.

Fonte: www.latercera.com/








A empresa de energia renovável italiana Enel Green Power informou que iniciou a construção de um parque eólico 112 MW na cidade de Sierra Gorda, na região de Antofagasta e para o qual pretende investir cerca de US $ 215 milhões. 

O parque eólico Sierra Gorda é de propriedade da Enel Green Power Chile Ltda. E é esperado para ser concluído e entrar em operação no final de 2016.

Uma vez que está totalmente operacional, o parque vai gerar mais de 295 GWh por ano, o que equivale às necessidades de consumo anual de energia de cerca de 130 mil famílias, evitando a emissão de mais de 140.000 toneladas de CO2.
O projeto será financiado através de capital próprio da Companhia e será apoiado por um contrato de compra de energia de longo prazo ( "Power Purchase Agreement").
A energia gerada pelo parque eólico Sierra Gorda será injetada no Sistema Interligado Norte (SING).
No Chile, a Enel Green Power opera atualmente uma carteira de plantas com uma capacidade instalada de cerca de 600 MW, dos quais 340 MW vem de energia eólica, 154 MW de energia solar fotovoltaica e 92 MW de energia hidrelétrica. Além disso, a empresa tem atualmente projetos em andamento para cerca de 600 MW, que, uma vez concluído, terá a capacidade total instalada no país para cerca de 1.200 MW. Entre esses projetos, a EGP está construindo em parceria com a primeira usina geotérmica da ENAP na América do Sul, Cerro Pavilion, com uma capacidade instalada bruta de 48 MW.

Itaipu rompe barreira inédita dos 100 milhões de MWh



A Usina de Itaipu é a primeira hidrelétrica do mundo a gerar 100 milhões de megawatts-hora (MWh), segundo a empresa brasileiro-paraguaia. A marca foi alcançada nessa terça-feira (20), às 23h16.
O volume de energia gerada de janeiro até agora é 33% superior ao previsto no Tratado de Itaipu, que estabeleceu como 75 milhões de MWh anuais como meta de produção.
Os 100 milhões de MWh produzidos pela Usina de Itaipu seriam suficientes para atender ao mercado brasileiro de eletricidade por um período de dois meses e 16 dias, e o paraguaio durante sete anos e 17 dias.
No sábado (17), Itaipu já havia quebrado o recorde mundial de geração de energia elétrica ao ultrapassar os 98,8 milhões de MWh produzidos pela Usina Três Gargantas, na China, em 2014.
Com o resultado, a empresa binacional reassumiu a liderança mundial no setor.
Meta de 102 GWh
Uma combinação de fatores contribuiu para o bom desempenho, de acordo com a empresa: a afluência regular do Rio Paraná, a alta demanda de eletricidade no Brasil e no Paraguai, a otimização do uso dos recursos naturais e o elevado desempenho dos equipamentos.
Segundo o diretor-técnico executivo de Itaipu, Airton Dipp, a usina deve fechar o ano com produção acima dos 102 milhões de MWh.
"Repetir essa marca é possível, mas superar os 102 milhões de MWh é muito difícil, porque temos uma limitação que são os 14 mil megawatts instalados de potência. Eles limitam a produção a uma faixa nesse nível", disse. "É claro que tem as condições hidrológicas [de chuvas], que foram favoráveis em 2016, e também a alta demanda [por energia] de Brasil e Paraguai. Este ano foi excepcional e dificilmente vai se repetir".
Itaipu e Três Gargantas
Segundo projeções de Itaipu, a usina chinesa de Três Gargantas, que fechou novembro com a geração em torno de 83 milhões de MWh, deve ter uma produção total de 90 milhões de MWh em 2016.
Com 22,4 mil megawatts de potência instalada, contra 14 mil MW de Itaipu, a usina chinesa começou a operar a plena carga em 2012.
No entanto, embora com capacidade instalada de equipamentos superior, Três Gargantas só conseguiu produzir mais do que Itaipu em 2014, quando o Brasil enfrentava grande seca e a geração hídrica foi prejudicada.
Desde sua entrada em operação, em maio de 1984, Itaipu já gerou 2,4 bilhões de MWh, o que representa a maior produção de energia acumulada do mundo. Essa energia seria suficiente para suprir o consumo de todo o planeta por 40 dias.
Itaipu responde por 18% de toda a energia elétrica consumida no Brasil e atende a 82% do consumo paraguaio de eletricidade.

Turbina inovadora gera energia barata com ondas do mar

Energia das ondas
Começou, no litoral da Espanha, o teste de mais uma tecnologia objetivando gerar eletricidade limpa e sustentável explorando as ondas do mar.
O projeto Opera, financiado pela União Europeia, lançou ao mar o primeiro protótipo do gerador Marmok, um novo tipo de gerador cujas turbinas podem gerar até 30 kW cada uma. O segundo protótipo deverá ser ancorado no mesmo local em 2017.
O dispositivo é descrito por seus idealizadores como um "absorvedor pontual" baseado no princípio da coluna de água oscilante - a força vem das ondas do mar, mas as turbinas são giradas por ar.
Trata-se de uma grande boia flutuante, com 5 metros de diâmetro, 42 metros de comprimento e 80 toneladas de peso. A boia, que acomoda duas turbinas com capacidade nominal de 30 kW, fica quase inteiramente submersa.

    A força vem das ondas do mar, mas as turbinas são giradas por ar. [Imagem: Opera/Divulgação]
As ondas capturadas criam uma coluna de água dentro da estrutura central da boia, estrutura esta que se move como um pistão pelo movimento de ida e volta das ondas, comprimindo e descomprimindo o ar em uma câmara na parte superior do dispositivo.
O ar é então expelido pelo topo, onde é aproveitado por uma ou mais turbinas, cuja rotação aciona o gerador de eletricidade.
"Este projeto colaborativo europeu de demonstração da energia das ondas irá produzir dados importantes, que permitirão a próxima fase de comercialização da produção de energia a partir do oceano," disse Lars Johanning, da Universidade de Exeter e principal pesquisador do projeto.
O projeto vai aproveitar os sistemas de amarração compartilhados usados há muito tempo nas fazendas de aquicultura, onde reduzem os custos de ancoragem em quase 50%. [Imagem: Opera/Divulgação]


A propósito, um dos grandes argumentos da equipe é que este dispositivo deverá produzir eletricidade a um custo muito baixo - eventualmente o menor custo dentre os vários projetos de geração de energia no mar atualmente em testes na Europa, envolvendo exploração das ondas, das marés e das correntes oceânicas.
A grande diferença é que trata-se de um projeto público, com dados compartilhados entre pesquisadores de várias universidades, enquanto a maioria dos outros testes são empreendimentos privados, o que torna virtualmente impossível dispor de dados confiáveis que permitam comparar as diversas tecnologias e traçar planos de longo prazo para a geração sustentável de energia.

As turbinas ficam na horizontal, acima da coluna d'água, facilitando muito a manutenção. [Imagem: Opera/Divulgação]


No geral, o projeto Opera pretende desenvolver tecnologias que permitam uma redução de 50% nos custos operacionais em mar aberto, acelerando assim o estabelecimento de padrões internacionais e reduzindo as incertezas tecnológicas e os riscos técnicos e empresariais para adoção da tecnologia em larga escala.



LEILÃO DE ENERGIA DE RESERVA É CANCELADO E AFETA FORNECEDORES

Por Daniel Rittner, Rafael Bitencourt, Rodrigo Polito e Camila Maia | De Valor
Fonte:http://www.bfcapital.com.br/en/noticias/cancelamento-de-leilao-afeta-fornecedores/

Visto como crucial para dar fôlego às indústrias de equipamentos eólicos e fotovoltaicos, o leilão de energia de reserva (LER) (dezembro) foi cancelado. A suspensão do certame foi anunciada  pelo governo, que apontou as projeções mais baixas de crescimento da demanda como justificativa. Os investidores nas duas fontes renováveis, que eram objeto da contratação, temem o risco de desmonte da cadeia produtiva por falta de novas encomendas.
A anúncio do cancelamento do certame com poucos dias de antecedência foi motivo de insatisfação entre os fabricantes de equipamentos das duas fontes, que pedem maior previsibilidade nos leilões de energia no país.
Será a primeira vez, desde 2009, que o ano terminará sem que um único megawatt (MW) de eólica tenha sido contratado. Ao fazer o anúncio do suspensão, após reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), o secretário-executivo do Ministério de Minas e Energia, Paulo Pedrosa, reiterou o compromisso com o desenvolvimento das fontes renováveis, mas ponderou: “O leilão não é uma definição de política industrial”.
Segundo ele, a mudança do cenário macroeconômica foi decisiva. Na semana passada, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) revisaram para baixo as estimativas de carga para o quinquênio 2016-2020. O crescimento anual médio de 3,7% foi reduzido para 3%.
“Gostaríamos de não estar lidando com esse cenário. Existe uma preocupação muito grande com as cadeias produtivas. Mas, dentro desses critérios, revisitamos o LER e chegamos à conclusão de que não haveria justificativa para fazermos o leilão”, explicou Pedrosa. Pelos novos parâmetros, as distribuidoras continuarão fortemente sobrecontratadas. O secretário disse que as empresas devem chegar a 2020 com uma “sobra” de 9 mil MW.
O cancelamento foi coerente com a lógica do modelo de contratação de energia, baseado na relação entre oferta e demanda, disse o coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel), da UFRJ, professor Nivalde de Castro. “Nossa análise indica que isso faz parte do jogo, do equilíbrio da dinâmica entre oferta de demanda”, disse. Segundo ele, se não há demanda, o modelo tem a capacidade de se ajustar a isso e não contratar novos projetos.
Segundo o presidente da consultoria Thymos Energia, João Carlos Mello, o LER seria realizado apenas para manter algum ritmo de encomendas para a cadeia de fornecedores dos setores eólico e solar. Do ponto de vista de demanda, na sua visão, não há necessidade de contratação de energia. “Seria interessante o leilão para manter ativa a indústria, para dar algum sinal para ela. O governo foi pela lógica de que é difícil explicar para a sociedade como fazer um leilão de reserva, com essa sobra gigantesca de energia”, disse ele.
“Esse episódio é mais um retrato da situação dramática enfrentada no país”, disse Claudio Sales, presidente do Instituto Acende Brasil. Apesar de mostrar que o governo reconhece o problema do crescimento menor que o esperado da demanda de energia, “a decisão é extremamente complexa e significa uma ameaça gigantesca à toda a cadeira de produção, principalmente a eólica, que se instalou no Brasil recentemente para atender a demanda dos leilões”, disse Sales.
O problema é exatamente a indústria de fornecedores. “As fontes renováveis, em particular a eólica, se viram de tapete puxado. As empresas gastaram, depositaram garantias, fizeram pré-contrato com fabricantes, e aí simplesmente cancelaram o leilão”, disse Élbia Gannoum, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica).
A repercussão internacional do cancelamento do leilão foi “péssima”, disse Élbia, especialmente entre os fornecedores de equipamentos para geração eólica. “Cancelar o leilão de última hora gera descrédito do governo”, afirmou, lembrando que a cadeia produtiva chegou no país há poucos anos com investimentos significativos na construção de fábricas.
Para o presidente da fabricante dinamarquesa de equipamentos eólicos Vestas no Brasil, Rogério Zampronha, o cancelamento do leilão a menos de uma semana para a sua realização foi um sinal ruim para a indústria. “Nossa colocação é a respeito do sinal que o Brasil está dando ao cancelar o leilão cinco dias antes da realização e depois de todos os conselhos [de administração das empresas] terem aprovados as condições para participar. É difícil justificar o que aconteceu”.
O executivo destacou ainda que flutuações de previsões de demanda não podem afetar decisões de longo prazo. “Nossa visão é que o Brasil tem necessidades em longo prazo. E qualquer decisão relativa à infraestrutura tem que ser pensada em longo prazo”, completou. Segundo ele, o governo brasileiro dispõe de instrumentos legais para determinar um novo leilão no próximo ano, com base em condições técnicas, políticas e que faça sentido economicamente. “Existe sempre a necessidade de se investir em energia nova”, afirmou.
A insatisfação é a mesma na cadeia produtiva de energia solar. “Foi um golpe duro prejudicando o desenvolvimento da fonte no Brasil, uma vez que a decisão frustra as expectativas do setor e acaba gerando uma certa perda de credibilidade”, disse Rodrigo Sauaia, presidente da Associação Brasileira de Energia Solar (Absolar). “O cancelamento representa a perda de uma oportunidade de atrair investimentos de até R$ 9 bilhões, que seriam equivalentes a uma contratação de 1,5 GW”, disse.
“Não esperávamos isso, acabamos de inaugurar uma fábrica, esperávamos que se confirmasse o leilão esse ano”, disse Hugo Albuquerque, diretor-geral da Canadian Solar no Brasil. A empresa, que é uma das maiores do mundo no segmento de energia solar, inaugurou semana passada uma unidade em Sorocaba com capacidade de produção de 400 MW por ano em módulos fotovoltaicos.
Para Albuquerque, apesar da notícia ruim, a Canadian Solar entende o momento de redução de demanda enfrentado hoje no país. “O governo vai recuperar isso nos próximos anos. É uma aposta que a gente faz, a Canadian vai continuar investindo no Brasil, não vamos mudar nossos planos”, disse.
Os leilões de reserva têm como justificativa a formação de um “colchão de segurança” no sistema. Em tese, como as próprias distribuidoras estão com folga em suas carteiras, essa necessidade fica menor. A energia contratada nesse tipo de certame é paga por meio de um encargo cobrado diretamente dos consumidores. “Não vamos iludir a sociedade. A verdade é que não encontramos justificativa para realizar esse leilão”, afirmou Pedrosa, do MME.
Nos leilões tradicionais, a negociação é ditada pela oferta das geradoras e pela demanda de compra das distribuidoras. Já os leilões de reserva têm uma demanda estipulada pelo próprio governo. A tendência antes do cancelamento, segundo o Valor apurou, era contratar entre 300 e 700 MW. As empresas defendiam a contratação de 2 GW a 3 GW.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

Após várias falsas largadas, uma nova era para o automóvel brilha no horizonte
CARROS ELÉTRICOS


Por Stephen Wilmot
Fonte:www.novacana.com/n/combate/carro-eletrico/investidores-revolucao-carros-eletricos-161216/

O carro do futuro será elétrico, conectado e – isso talvez demore um pouquinho mais – com piloto automático. Mas e a indústria automobilística do futuro, como será? Numa série de artigos este mês, o Wall Street Journal ajuda os investidores a compreender o maior choque tecnológico a sacudir o setor automotivo em décadas.
Na aurora da era automotiva, os carros elétricos a bateria chegaram a sobrepujar os carros a gasolina. Transcorrido mais de um século, é possível que isso volte a acontecer no prazo de uma década ou duas. E os investidores que não quiserem ser pegos na contramão da história precisam abrir os olhos.
Exatamente quando os carros elétricos irão deixar o nicho do mercado de luxo ou da tecnologia verde e – após tantas falsas largadas – ingressar no mercado de massas, vai depender sobretudo do seu custo relativo. Neste quesito, tudo indica que a maré é favorável.

O barateamento das baterias é um fator-chave. O crescimento da computação móvel atraiu investimentos maciços para essa área, com duas consequências felizes para os elétricos: eles ganharam maior autonomia no momento mesmo em que seu custo de produção declinava. A Daimler, fabricante da Mercedes, acredita que o custo de produção das tecnologias de motores e de baterias pode alcançar paridade já em 2025. Mas o ponto de virada para os consumidores, que também leva em conta subsídios e custos operacionais, pode chegar antes disso.
Normas ambientais cada vez mais rígidas vêm tornando a produção de motores de combustão interna dentro dos parâmetros cada vez mais cara, particularmente na Europa. Lançando mão de subsídios agressivos, a China – maior mercado automotivo do mundo em número de unidades vendidas – já criou uma demanda segura para os veículos elétricos. O preço baixo da gasolina – especialmente nos Estados Unidos – deixou de ser a criptonita da eletrificação, muito embora o governo Trump, caso concretize suas pretensões desregulatórias, possa dar alguma sobrevida aos modelos tradicionais.

Ademais, a indústria agora tem um modelo a seguir: o revolucionário modelo Tesla, cria do Vale do Silício, mostrou que existe demanda para carros elétricos bem planejados, obrigando os barões da indústria, de Detroit ao Japão, passando pela Alemanha, a investir pesado para não ficar para trás.
 A General Motors está lançando o seu Chevrolet Bolt, 100% elétrico, que sairá na faixa dos US$ 30 mil, impostos inclusos. É menos que o preço médio de venda de um carro novo nos Estados Unidos, ainda que caro para um compacto. O tão propalado Modelo 3 da Tesla, que deve chegar ao mercado no segundo semestre de 2017, deve custar um pouco menos que isso.



As montadoras que sobreviverem aos solavancos desse período de mudança talvez terminem mais parecidas com empresas de tecnologia – e tão valorizadas quanto

Isso não impedirá que elas tentem. As três gigantes da indústria automotiva alemã – Volks, Daimler e BMW – divulgaram novas estratégias voltadas para o mercado de elétricos este ano. Até mesmo a Toyota, maior fabricante de carros do mundo em número de unidades produzidas, sinalizou no mês passado uma reversão em sua antiga estratégia de focar na tecnologia de células-combustíveis a hidrogênio em detrimento das baterias. Os próximos anos testemunharão uma enxurrada de novos lançamentos para rivalizar com o Bolt e o Modelo 3.

O design de marca também terá de sofrer adaptações. Um exemplo: as emblemáticas grades em formato de rim da BMW vão se tornar obsoletas com a eletrificação. Os líderes de ontem terão de encontrar novas maneiras de combinar marca, design e tecnologia.


Para os investidores, os riscos e as oportunidades afiguram-se imensos. As ações de quase todas as fabricantes de automóveis, exceção feita à Tesla Motors, estão saindo a preço de banana, seja na comparação com o histórico em bolsa, seja em relação ao mercado de forma mais ampla. Há preocupações de longo prazo, como o custo de adaptação das linhas de montagem para a tecnologia elétrica e o risco de uma quebradeira geral. No entanto, as montadoras que sobreviverem aos solavancos desse período de mudança talvez terminem mais parecidas com empresas de tecnologia – e tão valorizadas quanto.

O futuro do automóvel será eletrizante. E as recompensas para os que apostarem certo suas fichas serão enormes.

França inaugura trecho de estrada pavimentada com painéis solares

Trata-se de um projeto pioneiro que prevê alimentar a iluminação pública de uma cidade de 5 mil habitantes

Fonte:http://exame.abril.com.br/economia/franca-inaugura-trecho-de-estrada-pavimentada-com-paineis-solares/?mc_cid=30241f00c5&mc_eid=ba0091c79d

Estrada: o projeto recebeu as críticas de ONGs ambientalistas que consideram seu custo, 5 milhões de euros, exagerado para a quantidade de energia que pode produzir (Benoit Tessier)

      Ministra do Meio Ambiente francesa, Ségolène Royal, na estrada solar em construção em Marselha


Paris – A França inaugurou nesta quinta-feira o primeiro trecho da estrada pavimentada com painéis solares especialmente sólidos em uma via local na Normandia (noroeste), que conta com 1 km de extensão.
Trata-se de um projeto pioneiro que prevê alimentar a iluminação pública de uma cidade de 5 mil habitantes.
No entanto, este projeto recebeu as críticas de diversas organizações ambientalistas que consideram seu custo, 5 milhões de euros, exagerado para a quantidade de energia que pode produzir.
A ministra do Meio Ambiente, Ségolène Royal, encarregada de inaugurar a infraestrutura, afirmou que trata-se de uma ideia que vai em linha com a transição energética do país rumo às energias renováveis.
Segundo seu departamento, este tipo de painéis solares estão especialmente concebidos para suportar o peso de qualquer veículo, incluído o de caminhões, e garantir a aderência dos pneus.
A França tem um milhão de estradas e asfaltando um quarto das mesmas, o país alcançaria sua independência energética.
Pelo trecho inaugurado hoje, um quilômetro de uma estrada departamental que conduz ao município normando de Tourouvre-au-Perche, calcula-se que circulem 2 mil automobilistas de meia por dia.
Segundo os cálculos dos responsáveis do projeto, o trânsito ocupa a estrada apenas 20% do tempo, por isso que não lhe priva de muita exposição solar.
Os 2.800 metros quadrados asfaltados com este material especial na Normandia são o resultado de cinco anos de testes com pequenos lances instalados em estacionamentos ou diante de edifícios públicos.
Algumas associações ecologistas criticam que com este tipo de obras, o governo busque um efeito sem autênticos progressos.
“Sem dúvida é um avanço técnico, mas para desenvolver as energias renováveis há outras prioridades do que este brinquedo que sabemos que é muito caro, mas não funciona bem”, disse ao jornal “Le Monde” o vice-presidente da Rede para a Transição Energética (CLER), Marc Jedliczka.
Com efeito, o preço do quilowatt produzido nesta via solar é de uns 17 euros, frente aos 1,3 euros para a geração de em uma instalação fotovoltaica em um telhado.
Os especialistas destacam que as instalações inclinadas são mais eficientes na hora de produzir eletricidade, uma desvantagem desta iniciativa, pois está em posição horizontal.
Sem contar com a resistência real destes painéis da estrada para a passagem dos veículos, o clima e outras circunstâncias.
Os responsáveis do projeto sustentam que o trecho inaugurado hoje é uma prova de que o preço da infraestrutura diminuirá à medida que aumente a demanda, o que barateará também o custo da energia produzida.
Em 2020, disseram, o preço do quilowatt produzido em uma estrada solar será similar ao de outra usina de energia solar.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Chico Mendes, legado de coragem em defesa da floresta

Fontes :Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado) /
institutochicomendes.org.br/homenagem-do-instituto-chico-mendes-aquele-que-deu-sua-vida-em-defesa-do-meio-ambiente/



Filho de migrantes cearenses, Francisco Alves Mendes Filho nasceu em 1944 num lugar pobre e esquecido pelo poder público: Xapuri, uma região de seringal, no interior do Acre. Aprendeu a ler só por volta dos 19 anos de idade. E teve uma vida curta: morreu assassinado, aos 44 anos de idade. Mesmo assim, tornou-se conhecido internacionalmente, e nesta segunda-feira (16), a uma semana de se completarem 25 anos de sua morte, é lembrado com honras pelo Senado. O que o fez singular? Chico Mendes foi capaz de, com todas as limitações que o cercavam, fazer conhecida sua voz, arriscando a vida pela defesa dos trabalhadores extrativistas e da preservação da floresta amazônica.
Sua coragem e capacidade de articulação chamou a atenção do país e do mundo para a dura realidade de seu povo e para a grande ameaça de destruição, já naquela época, da Amazônia. Chico Mendes pagou com a vida para que o olhar do mundo se voltasse àquela região do país, alvo constante de interesses poderosos, para os quais a vida tradicional e a própria existência da floresta amazônica são apenas entraves ao lucro sem medida. Sua morte havia muito anunciada, por fim, deu ainda mais notoriedade a uma luta cuja importância vai muito além das fronteiras do Acre.
Em 22 de dezembro de 1988, uma semana após completar 44 anos, Chico Mendes foi assassinado com tiros de escopeta no peito, ao sair pela porta dos fundos de sua casa, em Xapuri. Passados 25 anos do crime que comoveu o país, o nome do seringalista e ativista ambiental permanece como símbolo da luta pela preservação das florestas e em alternativas sustentáveis de aproveitamento de seus recursos em favor dos povos nativos.
Sob sua liderança, a luta dos seringueiros pela preservação do seu modo de vida adquiriu grande repercussão mundial. Ele atuou na organização de sindicatos e na fundação do Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS). Entendeu, no entanto, que a defesa da Floresta Amazônica dependia de união mais ampla dos povos cuja sobrevivência está associada às florestas. Por isso, já em 1985, participou da proposta da União dos Povos da Floresta.
O objetivo da aliança era unir os interesses de indígenas, seringueiros, castanheiros, pequenos pescadores e populações ribeirinhas, entre outros povos tradicionais. Buscou convencer o governo federal e as administrações estaduais a criar reservas para a colheita não predatória de produtos como látex, a castanha do Pará e o coco do babaçu. Além de contribuir para a preservação das áreas indígenas e da floresta, essas reservas extrativistas seriam também um instrumento de reforma agrária.
Atuando desde antes na luta pela posse da terra contra os grandes proprietários, numa região marcada por irregularidades fundiárias, Chico Mendes já vinha em conflito com os donos de madeireiras, de seringais e de fazendas de gado. Sem se dobrar, ele liderou os famosos “empates”, uma forma de luta não violenta, na qual os seringueiros se dirigiam às áreas que seriam desmatadas, impedindo a destruição. Felizmente, Chico Mendes chegou a assistir a criação das primeiras reservas extrativistas em seu estado.
Também garantiu a desapropriação do Seringal Cachoeira, do fazendeiro Darly Alves da Silva, em Xapuri. A partir de então as ameaças de morte se tornaram mais constantes. Chico denunciou a situação às autoridades, indicou nomes e pediu proteção. A essa altura, já com largo trânsito no exterior, ele foi convidado a levar as denúncias ao Congresso americano. Mesmo assim, nada foi feito pelas autoridades de seu estado.
Casado com Ilzamar e pai de dois filhos, Sandino e Elenira, Chico Mendes não teve chance de escapar da emboscada armada contra ele em 1988. A Justiça condenou Darly Alves da Silva, como mandante, e seu filho, Darci Alves Pereira, como executor. Depois de fugirem da prisão e serem recapturados, eles finalmente cumpriram a pena de 19 anos de cadeia.
Pouco mais de dois anos depois de sua morte, foi criada a primeira reserva extrativista federal, a Reserva Chico Mendes. Identificadas como Resex, essas unidades de conservação já chegam hoje a 59 e somam mais de 12 milhões de hectares. As populações que nelas vivem têm contrato de concessão de direito real de uso, tendo em vista que a área é de domínio público.
O líder ambientalista dá nome, hoje, ao Instituto Chico Mendes de Preservação de Biodiversidade (ICMBio), vinculado ao Ministério do Meio Ambiente. O órgão foi criado durante o primeiro mandato de Luís Inácio Lula da Silva, na gestão de Marina Silva à frente do Ministério do Meio Ambiente. Enquanto, nos anos 80, Lula deu apoio a Chico Mendes na articulação de seu movimento sindical, Marina, também do Acre, deu seus primeiros passos na defesa do meio ambiente sob a liderança do líder seringueiro.
O ICMBio integra o Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama) e a ele cabe executar as ações do Sistema Nacional de Unidades de Conservação, podendo propor, implantar, gerir, proteger, fiscalizar e monitorar as Unidades de Conservação instituídas pela União.
O legado de Chico Mendes, porém, vai muito além. Tornou-se referência persistente, por vezes incômoda até, para a consciência ambiental do país. E inspiração para a nem sempre vencedora luta pela preservação dos ativos ambientais do Brasil.