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quinta-feira, 17 de março de 2016



fonte: http://www.canalenergia.com.br/zpublisher/materias/Newsletter.asp?id=110860

Cristiane Mancini, economista: Energia solar sob uma ótica comparada e o papel das distribuidoras

Com estas experiências internacionais é possível concluir que os incentivos e investimentos caminham juntos na implementação da geração solar assim como a informação e o arcabouço institucional

Cristiane Mancini, economista, Artigos e Entrevistas
15/03/2016
Por conta das adversidades enfrentadas pelo setor elétrico brasileiro, e também pela ausência de chuvas em quantidades necessária, a energia solar é promissora, não se limitando ao Brasil. No entanto, o surgimento de um novo mercado costuma gerar insegurança em alguns agentes.
Baseado em um estudo desenvolvido para a CPFL Energia, a intenção deste artigo é trazer uma análise sobre a energia solar nos Estados Unidos e Austrália. Países estes de características geográficas similares ao Brasil e que podem ser instrumentos na antecipação de desafios e para a reprodução de experiências exitosas. Através deles, podemos gerar simetria de informações e arrefecimento da insegurança dos agentes mesmo que este artigo seja uma síntese de um estudo mais complexo, no entanto, com o mesmo objetivo, o de promover o desenvolvimento deste mercado no Brasil.
Mercado mundial
A indústria mundial de energia solar tem crescido exponencialmente, cerca de 20% ao ano. No final de 2013, havia aproximadamente 139 GW em sistemas instalados no mundo. A maior parcela sendo representada pela Alemanha (36 GW); em seguida, a Itália e China (18 GW cada); Japão (14 GW) e Estados Unidos (13 GW). Entre 2007 e 2008, o número de plantas solares saltou de 600 para 1800, revelando o incentivo a este tipo de geração.
Austrália
Em 2010, o país produzia anualmente mais gases poluentes do que os Estados Unidos, China e países produtores de petróleo do Oriente Médio. Estando entre os dez maiores poluidores no ranking mundial. Apenas 6% do consumo de energia de origem renovável.
O país detinha uma matriz energética obsoleta, ineficiente, poluente - oriunda da queima de carvão (80% da geração total). Com as altas emissões de gases poluentes na atmosfera e com as mudanças climáticas, o país clamava por um redesenho da matriz energética, onde nem mesmo o reaproveitamento de usinas térmicas podia ser considerado dada a sua obsolescência. Em decorrência da utilização destas usinas, as contas de luz residenciais eram demasiadamente altas, o que também foram um poderoso motor para o boom solar no país. A partir desta preocupação e urgência, o objetivo principal se dava pela mudança deste perfil poluidor e da redução das contas de luz residenciais. Em virtude da alta incidência solar no país e de seu caráter não poluente, o incentivo à energia solar se tornou o foco de política públicas. A primeira ação foi a de implementar “taxas de carbono” impostas por toda energia gerada a partir de fontes fósseis. Cada MW gerado por carvão passou a ser taxado em 143 dólares australianos e para o gás, 116 dólares australianos. O incentivo também se deu através de tarifas do tipo feed in tariff (diferente para cada estado) e através dosCredits Rebate Scheme que geram descontos na fatura do consumidor à medida que este gera energia através do sol. Ainda, o Net Energy Metering(NEM) que credita o consumidor pela energia excedente injetada na rede.
Foram investidos 190 bilhões de dólares australianos por dois anos de benefícios e políticas agressivas iniciadas em 2009. O país passou de importador de mão de obra a alta capacitação de profissionais em energia solar, gerando 1.500 empregos diretos ao ano – retratando um benefício social e econômico de longo prazo.
Já em 2012, os incentivos foram reduzidos por conta do cumprimento de suas metas. O país atingiu o esgotamento e saturação de incentivos com 1,1 milhão de tetos solares instalados (2015), isto é, por ora nenhum consumidor pode se candidatar nos programas de colocação de telhados solares, por exemplo. As campanhas de incentivo a geração através do sol foram tão eficazes que 83% dos australianos acreditam ser positivo o uso de tetos solares em suas residências. Uma em cada 5 residências conta com um teto solar e o preço de um sistema solar instalado gira em torno de 11.500 reais (preço vigente em 2016). Apesar da saturação, a meta ainda é de que o país gere energia 100% renovável. A Austrália possui uma das mais ambiciosas políticas de incentivo à microgeração do planeta, denominado Small-scale Renewable Energy Scheme.
Estados Unidos
O país é extremamente dependente do carvão e apenas 1% de toda energia gerada é proveniente do sol, um quadro que o governo norte americano busca alterar indo de encontro com as metas de combate às mudanças climáticas além de impor limites à poluição.
No segundo semestre de 2015, o governo Barack Obama anunciou medidas que o país adotará para ampliar o acesso ao sistema de energia solar principalmente destinada à população de baixa renda. Dentre estas medidas está o National Community Solar Partnership, um projeto que levará acesso à energia solar para 50% das residências e empresas pagantes de aluguel que não possuem espaço adequado para a instalação de painéis. O governo também busca expandir a formação e capacitação de profissionais neste segmento, iniciando com o treinamento de militares. O país também instaurou o “Programa solar nas escolas e nas universidades” e a iniciativa Sunshot (redução de faturas para o gerador de energia solar). Também, programas com o Departamento de Desenvolvimento Habitacional e Urbano, com as Comunidades de Planejamento e Desenvolvimento e o “Programa de Energia rural para a América”.
A estrutura tarifária norte americana varia de acordo com o segmento, região e estado. Podem ser do tipoNet Energy Metering (NEM), em que os usuários recebem créditos em KWh pela energia excedente injetada na rede e a Certificação pela utilização de energias renováveis – mensurados em MWh, onde é gerada concedendo descontos na fatura do consumidor.
As políticas norte americanas visam à eliminação e não somente a redução da poluição atmosférica; o preparo do país para mudanças climáticas e a liderança em esforços internacionais. Ainda é um desafio para o país, a concorrência saudável entre os instaladores, bem como melhoria da cadeia de fornecimento e custos regulatórios – metas para a iniciativa Sunshot até 2020.
Papel das distribuidoras na Austrália
O novo mercado traz uma série de benefícios como apresentado. Por outro lado, gera insegurança e preocupação pela hipótese de um declínio das atividades/ da utilidade das distribuidoras chamada de “Espiral da morte econômica”. Com inúmeros programas de incentivo ao uso da energia solar, a demanda pelos serviços das distribuidoras fica ameaçada, como a possibilidade de receitas menores e um possível desaparecimento se tornam de certa forma reais. Para a Austrália, a possível saída para este impasse é a introdução de um imposto residencial aplicado àqueles que gerarem energia solar dado o mercado residencial já estar saturado. Ficando de responsabilidade da distribuidora este papel fiscalizador e de orientação sobre indicadores como consumo e carga no sistema e o atendimento ao cliente neste quesito.
Papel das distribuidoras nos Estados Unidos
Os Estados Unidos alegam a improbabilidade de extinção das distribuidoras e suas atividades e tampouco uma situação fora de controle. No entanto, há a ressalva da necessidade de um arcabouço institucional demasiadamente forte, que regule as funções das distribuidoras neste novo mercado e conceda o aporte necessário a elas. Uma vez aportadas pelas mais diversas esferas (estadual, federal), poderão exercer um papel de controle de serviços, explorando os impactos desta nova geração sobre os seus clientes.
Considerações
Com estas experiências internacionais é possível concluir que os incentivos e investimentos caminham juntos na implementação da geração solar assim como a informação e o arcabouço institucional.
Provedora de inúmeros benefícios, a energia solar deve ser de escolha do consumidor que deve ser bem amparado de informações para que este a escolha. De importância ímpar, o olhar estadual, federal e regulatório para a manutenção dos papéis das distribuidoras mesmo porque, os consumidores ainda necessitarão de linhas de transmissão comoback up ou ainda para a venda de energia não consumida.
O novo mercado requer readequações e adaptações, assim enfrentadas pelo mercado de telefonia com a chegada dos telefones celulares. Um progresso gradual, com diversos planos de contratação que inicialmente gerou insegurança, como todo novo segmento pulsante, mas perfeitamente adaptável e cabível à realidade. São nestes redesenhos em que surgem desafios, no entanto, oportunidades de melhorias e da reafirmação das distribuidoras e o reconhecimento de seu expertise para o setor elétrico.
Cristiane Mancini, mestre em Economia Política pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Pesquisadora visitante na Università Sacro Cuore di Milano, SOS Impresa (Roma) e Università Tor Vergata (Roma). Com in extensões universitárias em universidades estrangeiras. Atua como economista na Daimon Engenharia, especialistas em energia.

quarta-feira, 16 de março de 2016

http://www.procelinfo.com.br/

Assunto: Panorama Nacional
11.03.16
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A energia solar já é uma realidade no Brasil'
São Paulo – Em entrevista ao Procel Info, Bárbara Rubim, do Greenpeace Brasil, fala do documentário 'Sol de Norte a Sul' que tem como proposta discutir as vantagens e as barreiras que essa fonte de energia enfrenta no país
Bruno Ribeiro, para o Procel Info
São Paulo – Com o aumento dos custos com a energia elétrica, que, somente em 2015, registraram uma elevação de mais de 51%, tem levado consumidores a buscar novas alternativas para reduzir o valor da conta de luz. Neste cenário, mesmo com a já anunciada redução do valor das Bandeiras Tarifárias, a geração própria de energia, por meio de painéis fotovoltaicos começa a chamar a atenção da população.

Visando mostrar os diversos benefícios que a energia solar pode trazer para a população brasileira, o Greenpeace lançou neste ano o webdocumentário "Sol de Norte a Sul" . Por meio de uma plataforma digital, o documentário mostra através de vídeos, fotos, textos e infográficos, como essa fonte limpa de energia pode movimentar a economia por meio da geração de empregos e renda. Também são destacados os benefícios sociais e ambientais para a comunidade onde esse sistema é instalado e as barreiras que o setor solar ainda enfrenta do país, como a tributação e a falta de linhas de financiamento com juros subsidiados.

Em entrevista ao Procel Info , a coordenadora da Campanha de Energias Renováveis Greenpeace Brasil, Bárbara Rubim, falou mais detalhes sobre o documentário, e explicou como o consumidor pode ter acesso a energia solar que além de proporcionar economia na conta de luz, também ajuda na conscientização sobre o uso mais responsável da energia.

Ela também comenta sobre as dificuldades que essa fonte ainda enfrenta no país. Atualmente, a energia solar é responsável por apenas 0,02% de toda a eletricidade gerada no Brasil, uma contradição diante do potencial de radiação solar apresentado em todo o território nacional.

Procel Info: Como a energia solar se diferencia das outras fontes, em termos de energia limpa?

Bárbara Rubim: Um dos fatores que podemos abordar é que a energia solar é composta por módulos, isso é, se você tem o consumo muito alto na sua casa e não tem condições de instalar um sistema que gere eletricidade para abater 100% do seu consumo, pode começar com um menor e aumentar na medida da sua capacidade e necessidade. E além disso, a energia solar é entre as fontes renováveis no país a que tem maior geração de emprego associada.

Procel Info: O webdocumentário aborda as oportunidades de trabalho que a energia solar pode gerar, principalmente em regiões mais carentes. Qual o potencial de geração de empregos que o setor fotovoltaico pode proporcionar?

Bárbara Rubim: O grande potencial da geração de emprego vai se realizar, sobretudo, quando tivermos a instalação, por exemplo, de usinas e fábricas para confecção das placas fotovoltaicas no país. Hoje, nós temos em Valinhos, no interior de São Paulo, uma empresa que compra os equipamentos e monta as placas. Mas ainda não temos um produto que seja 100% nacional. O que é importante ressaltar é que quando falamos de energia solar não nos referimos apenas à usina, mas também nos referimos a um sistema pequeno porte. Esses sistemas mostram que o estímulo a energia solar pode gerar emprego em qualquer lugar do país. Isso permite que se mantenha a população em seus lugares de origem com emprego e renda.

Procel Info: Considerando a economia que as famílias estão tendo na conta de energia e os empregos gerados, há uma estimativa de quanto a energia solar adicionou na renda mensal de cada uma delas?

Bárbara Rubim: Podemos falar de dois tipos de economia. Uma economia direta, que é realmente o abatimento na conta de eletricidade, pois se vai passar a usar uma energia que vem das placas solares. Mas também temos uma economia gerada por causa da sua redução de consumo. No caso da família que tem um sistema fotovoltaico instalado, como ela passa a gerar sua própria energia, ela passa a ter mais consciência sobre o seu consumo. Com isso, essa família começa também a utilizar métodos do consumo de energia que sejam mais saudáveis. Em termos gerais, estamos falando em uma economia de R$ 50 a R$ 100, que, para essas famílias, é o mercado do mês.
” O estímulo a energia solar pode gerar emprego em qualquer lugar do país”

Procel Info: No documentário, são mostrados dois projetos apoiados pelo Greenpeace. Quais os pré requisitos para uma casa ser escolhida como beneficiária da placa captação solar?

Bárbara Rubim: Nos dois exemplos mostrados no documentário, um em João Pessoa, Paraíba, e outro em Juazeiro, na Bahia, eram conjuntos habitacionais de baixa renda. Em Juazeiro faz parte do Minha Casa, Minha Vida, programa do Governo Federal, e na Paraíba é um programa de habitação do governo do estado. A seleção foi feita pelo próprio governo. Na Paraíba, foram selecionadas as famílias por suas faixas de consumo e depois o sorteio. E o interessante desse projeto é que foi feito com a intenção de mostrar ao governo federal a viabilidade do projeto. Normalmente, no Minha Casa, Minha Vida é instalado o sistema solar de aquecimento de água que é quase desnecessário, no caso do Nordeste. Em Juazeiro, foi uma usina instalada no telhado das casas, com financiamento da Caixa Econômica Federal, que gera a eletricidade para os moradores e para a agência da Caixa no local.

Procel Info: Qual o custo, em média, para se instalar uma placa solar em uma residência ou estabelecimento comercial? Em contrapartida, quanto este local pode economizar?

Bárbara Rubim: Como as residências mostradas no documentário são de baixo consumo, o sistema foi pequeno e o custo ficou baixo. Para uma residência que tem um consumo dentro da média nacional, podemos falar de um custo de R$ 15 mil para um sistema que zera a conta da família. É um preço que pode assustar na primeira vista. Mas o sistema se paga em cerca de seis a sete anos, somente com a economia na conta de energia. Porém a vida útil do equipamento é de 25 anos, em média.

Procel Info: Há uma diferença entre a visão do Greenpeace e do poder público quanto ao potencial da energia solar no Brasil? Como isso é alinhado para a obtenção de investimentos e parceria nos projetos?

Bárbara Rubim: Quando falamos de energia solar e dos incentivos necessários isso se refere a uma cadeia tributária diferenciada, criações de linhas de crédito e etc…Tudo isso, sem dúvida, afeta a arrecadação que o Brasil tem. Mas temos que fazer o contraponto. A arrecadação com a energia solar fotovoltaica é praticamente nula, por quase não ter sistema instalado. Além disso, quando o governo faz esse tipo de argumento, ele praticamente ignora o potencial desta fonte na geração de emprego, enfim, toda uma cadeia tributária que é beneficiada indiretamente. Temos também um argumento não-dito, mas é o que imaginamos, que é exatamente o fato do Brasil ser um país que sempre favoreceu as grandes empreiteiras e grandes obras, por motivos não tão nobres. E quando falamos de fontes distribuídas, não estamos falando de grandes empreiteiras e grandes obras. Envolve pequenas empresas que podem atuar em nível local e gerar emprego para qualquer lugar. Por isso, nós temos um projeto de lei tramitando no Congresso Nacional que cria vários benefícios para a energia solar, como uma cadeia tributária que permitiria que o sistema ficasse cerca de 20% mais barato para o cidadão e libera o saque do FGTS para o trabalhador que quisesse instalar o sistema na sua casa. Mesmo sem uma atuação ativa do governo, fizemos uma mobilização e conseguimos que o projeto fosse aprovado na Comissão de Minas e Energia (CME), na Câmara dos Deputados. Neste ano, o projeto vai para discussão na Comissão de Finanças e Tributação (CFT). Sabemos que vamos ter uma resistência, mas isso não se justifica por ser baseada em uma visão de curto prazo.

Procel Info: No documentário, o deputado federal Sarney Filho (PV-MA) afirma que "há uma certa resistência por parte das distribuidoras” ao incentivo da energia solar. Quais seriam essas resistências?

Bárbara Rubim: No começo, as distribuidoras não se posicionaram contrariamente. Havia uma descrença que a energia solar ia 'pegar' no Brasil. Mas hoje nós temos visto sim essa resistência, que vem de várias formas. Por exemplo, no ano passado, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) concluiu a revisão da Resolução Normativa 482 e as distribuidoras se manifestaram ativamente contra isso, até no que diz respeito a regularização do sistema. Como uma casa, que tem o sistema fotovoltaico, ela pode continuar conectada a rede de energia elétrica, existe um processo que a distribuidora tem que comparecer, fiscalizar para ver se a instalação realmente aconteceu observando todas as normas de segurança previstas, além de trocar o medidor da pessoa. Uma das formas que as distribuidoras estão encontrando de vetar o processo de expansão da energia solar, é tornando a regularização muito lenta. Nós somos um exemplo disso. Em dezembro de 2014, instalamos um sistema fotovoltaico na nossa laje. A regularização só veio em outubro de 2015. Levou quase um ano para algo que, de acordo com a 482, não poderia levar mais de três ou quatro meses. E isso tem sido cada vez mais comum. Falta um controle maior do governo e da Aneel.
”Com a resolução 482 da Aneel, o momento está favorável para a energia solar. O que falta é incentivo”

Procel Info: Mesmo com incentivos a educação e conscientização sobre os benefícios da energia solar, a sociedade ainda apresenta observa essa fonte de energia com certa desconfiança. Como ela se apresenta?

Bárbara Rubim: Nós percebemos que as pessoas mostram uma vontade de aderir a essa fonte, porém é um sentimento muito distante. Como hoje não temos nenhum grande incentivo do governo, para muitas famílias falar de um investimento inicial de R$ 15 mil, ainda é algo muito elevado. Hoje se compra um carro com juros subsidiados, mas não um sistema fotovoltaico. É um pensamento de “ eu quero ter, eu sei que é uma coisa boa, mas eu não tenho condições”. Outro ponto é que não temos uma cultura de investimento no Brasil. As pessoas ainda acham que poupança é um investimento. É difícil para as pessoas entenderem que elas estão investindo esse valor numa coisa que vai dar um retorno para elas durante uns 20 anos. Mas ainda não existe essa visão de que a instalação de um sistema fotovoltaico é um investimento que está sendo feito. Por outro lado, por causa desse cenário de corrupção e com isso um cansaço maior da população com as instituições, fica cada vez mais uma vontade do cidadão se tornar independente. Essa independência vem de várias formas, uma delas a geração de eletricidade própria. Então o momento está favorável. O que falta é incentivo.

Procel Info: Como o Greenpeace analisa a questão do financiamento dos painéis fotovoltaicos no país. Isso ainda é um entrave?

Bárbara Rubim: Hoje temos a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil e o Santander que possuem linhas de crédito para o consumidor instalar o sistema fotovoltaico na sua residência. Porém os juros ainda são muito altos. O que precisamos é que essas instituições melhorem as condições que têm e que o governo libere o saque do FGTS para o contribuinte investir no sistema. Essa é uma demanda simples que vamos investir nesse ano.

Procel Info: O projeto Gelo Solar é um grande exemplo dos benefícios que a energia solar pode trazer para pequenas comunidades. Como surgiu esse projeto e quais incentivos ele recebeu? 

Bárbara Rubim: O projeto Gelo Solar surgiu de uma competição promovida pelo Google, o Desafio de Impacto Solar. Um grupo de estudantes desenvolveu o projeto e ganharam a competição. O piloto foi para a reserva de Mamirauá, no Amazonas, e serviu para mostrar que a energia solar é viável e que pode fazer a diferença na qualidade de vida de vários ribeirinhos. Na prática, a eletricidade gerada pelas placas é usada para alimentar uma máquina que produz gelo e isso é muito importante pois garante a conservação do peixe que é levado para a cidade. Mas não houve nenhum investimento externo no projeto. Contudo, estamos batalhando para conseguir verba e levar o projeto para mais lugares.

Procel Info: Outra iniciativa desenvolvida pelo Greenpeace no Brasil é o Multiplicadores Solares. Em que consiste esse projeto e como ele é desenvolvido?

Bárbara Rubim: Esse trabalho começou no ano passado com um grupo de 30 pessoas no Brasil inteiro. Nós nos reunimos em São Paulo, por quatro dias, demos uma capacitação com questões teóricas sobre energia solar e depois levamos para fazer duas instalações de sistemas. Por fim, eles voltaram para suas cidades de origem com o desafio e compromisso de repassar esse conteúdo para as pessoas. O foco principal deles é serem disseminadores deste conteúdo.

* Com colaboração de Carla Mendes

quinta-feira, 10 de março de 2016

Ambiente Energia



A Comissão de Serviços de Infraestrutura do Senado (CI) aprovou na última quarta-feira (24) o uso do FGTS para a compra de equipamentos voltados para a microgeração de energia elétrica.
Para fazer jus aos recursos, os equipamentos precisam ser instalados em moradia própria, a energia deve ser gerada a partir das fontes hidráulica, solar, eólica ou biomassa.
O trabalhador precisa comprovar pelo menos três anos de contribuição. Segundo o senador Ciro Nogueira (PP-PI), autor do projeto de lei (PLS 371/2015), os ganhos com a economia de energiaserão maiores que o rendimento proporcionado pela aplicação tradicional do FGTS.
Fonte: Agência Senado

fonte:http://www.canalenergia.com.br/zpublisher/materias/Newsletter.asp?id=110807

Caixa Econômica Federal vai instalar energia solar em 96 agências no Brasil

No total, sistemas fotovoltaicos somarão 6,6 MW capacidade instalada

Wagner Freire, da Agência CanalEnergia, de São Paulo, Consumidor
09/03/2016
A Caixa Econômica Federal vai instalar sistemas fotovoltaicos em 96 agências no Brasil, sendo 42 unidades no interior de São Paulo, 52 unidades em Minas Gerais e duas no Distrito Federal. Juntos os sistemas somarão 6,6 MWp de potência.
 
Para tanto, foram abertas duas licitações, sendo que uma já foi concluída. Segundo o site do banco, a WEG foi vencedora da etapa para conquistar o direito de instalar os sistemas fotovoltaicos nas 42 unidades de São Paulo (área da CPFL Paulista), e nas duas unidades do Distrito Federal (CEB), somando 3,36 MWp. A declaração final de consagração está pendente. O lance vencedor foi de R$ 26.799.000,00. Participaram da disputa as empresas Kyocera Solar do Brasil, T10 FAST Empreendimento, Solen Com. e Serv. de Energia Solar, Sindustrial Engenharia, Minas Sol, BNC Bibe Consultoria e German Solar Energy Brasil Fabricação e Comércio de Componente Elétricos.
 
A outra licitação, para a contratação de sistemas em 52 agências em Minas Gerais, está aberta para envio de proposta até 13 de março de 2016 (Clique para ver o edital). Serão contratados 3,3 MW de potência. Todos os sistemas serão implantados conforme as regras da Resolução Normativa 482/12, que prevê a troca de sobras de energia com a distribuidora local. O valor do projeto está estimado em R$ 26.368.674,75. A Caixa informou que serão realizadas novas licitações para outras unidades até 2017.
 
Não é a primeira vez que a Caixa Econômica Federal aposta na energia solar. Em dezembro de 2014, o banco inaugurou um sistema com 276 painéis fotovoltaicos em uma agência no município de Vazante, em Minas Gerais. A previsão era que o sistema produzisse 115 MWh/ano.

terça-feira, 8 de março de 2016

CO2 atmosférico é convertido diretamente em combustível líquido



CO2 atmosférico é convertido diretamente em combustível líquido


CO2 vira combustível líquido
Sim, é possível converter diretamente o CO2 capturado na atmosfera em metanol, pronto para ser usado como combustível.
Este processo de conversão do CO2 em combustível líquido, conhecido como combustão reversa, é um objetivo perseguido por inúmeras equipes ao redor do mundo, que buscam meios de transformar a poluição dos derivados do petróleo em substitutos do petróleo.
Jotheeswari Kothandaraman e seus colegas da Universidade do Sul da Califórnia, nos EUA, fizeram a conversão de CO2 em metanol seguindo um processo que tem potencial para ser escalonado para uso industrial.
O processo consiste em injetar o ar ambiente para que ele borbulhe através de uma solução aquosa de pentaetilenohexamina (ou PEHA), acrescentando um catalisador para induzir o hidrogênio a se ligar ao CO2 sob pressão. Em seguida, a solução é aquecida, convertendo 79% do CO2 em metanol.
Embora o metanol fique misturado com a água, um passo adicional de destilação pode separá-lo facilmente.
Ambientalmente viável
Muitos já argumentaram que o mero desenvolvimento desse processo, que vinha sendo buscado há muito tempo, seria o suficiente para sua adoção, por ser ele "ambientalmente viável". Contudo, o grande indutor da adoção de qualquer nova tecnologia tem sido o aspecto econômico - o "economicamente viável".
Assim, a equipe precisará trabalhar um pouco mais. Isto porque o catalisador usado é o ródio, um metal do grupo da platina e extremamente caro, e que se desgastou bastante após apenas cinco ciclos de conversão do CO2 em metanol.
Outra melhoria desejável é a redução da temperatura, com o processo tendo funcionado entre 125 e 165 graus Celsius, o que requer muita energia.
Concentração de CO2 na atmosfera
De forma um tanto irônica, o grande entrave teórico à combustão reversa é a baixa concentração do CO2 na atmosfera, o que exige muito energia para capturá-lo.
Apesar de seu efeito estufa, há apenas 400 partes por milhão - 0,04% - de CO2 no ar atmosférico. Para comparação, há 23 vezes mais do gás nobre argônio, que compõe cerca de 1% do volume total da atmosfera terrestre.

Fonte: http://www.inovacaotecnologica.com.br/

Usinas solares começam a flutuar pelo mundo

Usinas solares começam a flutuar pelo mundo
[Imagem: United Utilities/Divulgação]
Usinas solares flutuantes
A maior fazenda solar flutuante da Europa está sendo construída em um reservatório na Inglaterra.
Mais de 23.000 painéis solares fotovoltaicos estão sendo colocados na superfície do reservatório Rainha Elizabeth II, perto de Surrey.
A fazenda, que terá o tamanho equivalente a oito campos de futebol contíguos, deverá gerar 5,8 megawatts-hora (MWh) de eletricidade.
Parte dessa energia será usada para alimentar o sistema de tratamento de água instalado na própria represa.
O empreendimento é uma obra conjunta entre a empresa de abastecimento de água e a concessionária de energia que atende a região.
Usinas solares começam a flutuar pelo mundo
O processo de montagem é simples e rápido. [Imagem: LightSource/Divulgação]
Construção em terra
A plataforma flutuante terá 57.500 metros quadrados, composta por mais de 61.000 flutuadores e 177 âncoras.
Os painéis solares estão sendo instalados sobre a plataforma em um sistema de construção simples e de baixo custo, com as peças sendo montadas em terra e simplesmente lançadas sobre a água.
A maior usina solar flutuante na Europa até agora também está na Inglaterra, tendo sido inaugurada perto de Manchester no Natal passado, medindo 45.500 metros quadrados.
Usinas solares começam a flutuar pelo mundo
A fazenda solar vai sendo montada e simultaneamente lançada na água. [Imagem: LightSource/Divulgação]
Maior usina solar flutuante do mundo
As duas usinas inglesas parecem pequenas perto da maior usina solar flutuantedo mundo, que está sendo construída no Japão.
A fabricante de painéis solares Kyocera está construindo a fazenda solar em Chiba, na represa Yamakura.
Ela terá 180.000 metros quadrados quando concluída, fornecendo energia suficiente para abastecer 4.970 casas no padrão de consumo japonês - a fazenda solar inglesa conseguirá abastecer 1.800 casas.
Usinas solares começam a flutuar pelo mundo
Protótipo da fazenda solar brasileira, lançado na represa de Balbina. [Imagem: Bianca Paiva/Agência Brasil]
Fazendas solares brasileiras
O Brasil também está começando a investir na exploração de energia solar em lagos de usinas hidrelétricas.
A utilização dos lagos das hidrelétricas permite aproveitar as subestações e as linhas de transmissão das usinas, evitar a desapropriação de terras e ainda proteger o reservatório, evitando a evaporação.
O primeiro projeto foi lançado na semana passada na Hidrelétrica de Balbina, no município de Presidente Figueiredo, no Amazonas.
As placas fotovoltaicas flutuantes no reservatório da usina amazonense vão gerar, inicialmente, um 1 MW de energia. A previsão é que, até outubro de 2017, a potência seja ampliada para 5 MW.

Um projeto semelhante, com a mesma capacidade de geração de energia solar de Balbina, será lançado nesta semana na Hidrelétrica de Sobradinho, na Bahia.


fonte: http://www.procelinfo.com.br/

Em oito anos, mais de 1 milhão de brasileiros devem gerar sua própria energia

Fonte: Agência Brasil - 06.03.2016


Brasil - Você já pensou em gerar a sua própria energia elétrica em casa? Pois essa possibilidade já existe e deve ser cada vez mais comum no país. Segundo estimativa da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), até 2024 cerca de 1,2 milhão de residências no Brasil vão contar com energia produzida pelo sistema de geração distribuída, que permite que o consumidor instale pequenos geradores de fontes renováveis, como painéis solares e microturbinas eólicas, e troque energia com a distribuidora local, com objetivo de reduzir o valor da conta de luz.


O diretor da Aneel, Tiago Correia, já instalou oito placas de geração de energia solar em sua casa, o que vai atender ao consumo total da residência a partir do mês que vem. Para ele, além da vantagem de usar apenas fontes renováveis, um dos benefícios da geração distribuída é a redução de investimentos em redes de distribuição de energia. “Ela traz a geração para próximo do consumo”, afirma.

Na última terça-feira (1º), começaram a valer as novas regras aprovadas pela Aneel para a geração distribuída no país, que devem aumentar a procura pelo sistema. Uma das novidades é a possibilidade de geração compartilhada, ou seja, um grupo de pessoas pode se unir em um consórcio ou em cooperativa, instalar uma micro ou minigeração distribuída e utilizar a energia gerada para reduzir as faturas dos consorciados ou cooperados.

Segundo Tiago Correia, essa mudança vai possibilitar que mais pessoas adotem a geração compartilhada. “Quanto maior o sistema, mais barata é a instalação total, porque alguns custos são diluídos. Isso faz com que o retorno do investimento seja muito mais rápido, além de facilitar o acesso ao crédito cooperativado”, acrescenta.

Também foi autorizado pela Aneel que o consumidor gere energia em um local diferente do consumo. Por exemplo, a energia pode ser gerada em uma casa de campo e consumida em um apartamento na cidade, desde que as propriedades estejam na área de atendimento de uma mesma distribuidora. A norma também permite a instalação de geração distribuída em condomínios. Nesse caso, a energia gerada pode ser repartida entre os condôminos em porcentagens definidas pelos próprios consumidores.

Quando a quantidade de energia gerada em determinado mês for superior à energia consumida, o cliente fica com créditos que podem ser utilizados para diminuir a fatura dos meses seguintes. De acordo com as novas regras, o prazo de validade dos créditos passou de 36 para 60 meses.

Crescimento

Entre 2014 e 2016, as adesões ao modelo de geração distribuída quadruplicaram no país, passando de 424 conexões para 1.930 conexões. Para este ano, o crescimento pode ser de até 800%, segundo a Aneel. “O potencial de crescimento é muito grande, e a taxa de crescimento tem sido exponencial, até porque a base ainda é baixa”, afirma Correia. Atualmente, cerca de 90% das instalações de geração distribuída no país correspondem a painéis solares fotovoltaicos.

Para o presidente executivo da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), Rodrigo Sauaia, as novas regras aprovadas pela Aneel vão ajudar a fomentar o uso da geração distribuída no país. “A revisão das normas vai possibilitar ampliação expressiva da participação da população brasileira na geração distribuída. O Brasil acabou de se posicionar como uma referência internacional, na vanguarda na área de incentivo ao uso da energia de geração distribuída, em especial a geração solar”, lembra.

Custos

O investimento em um sistema de geração de energia distribuída ainda é alto no Brasil, por causa do custo dos equipamentos, mas o retorno poderá ser sentido pelos consumidores entre cinco e sete anos, segundo o diretor da Aneel. “Se você pensar como um investidor, que tem um dinheiro disponível e gostaria de aplicar, traria um rendimento muito melhor do que qualquer aplicação financeira disponível hoje”, diz Tiago Correia.

Já o responsável pela área de geração distribuída da empresa Prátil, Rafael Coelho, estima que uma residência consiga obter o retorno do investimento a partir de quatro anos, dependendo da radiação do local e do custo da tarifa. Para ele, o investimento vale a pena, especialmente porque o consumidor evita oscilações na tarifa de energia.

“Quando você faz o investimento em um sistema desses, é o equivalente a você comprar um bloco de energia antecipado, um estoque de energia, que poderá usar por 25 anos sem se preocupar se o valor da energia vai subir ou vai descer”, diz Coelho. Segundo ele, o aumento da procura por equipamentos vai fazer com que o custo da instalação tenha uma redução nos próximos anos. “Como qualquer indústria, ela precisa de escala para poder reduzir o custo unitário. Então, com o crescimento do setor, essa escala deve vir e consequentemente o custo para o cliente deve abaixar também”.

Para a Absolar, o principal gargalo para o avanço do setor de geração distribuída no país é a questão tributária, especialmente nos 12 estados que ainda não eliminaram o Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, o ICMS sobre a energia da microgeração. Em nível federal, o governo já fez a desoneração do PIS-Pasep e da Cofins sobre o sistema. Em relação ao financiamento, a entidade espera que o governo mobilize os bancos públicos para a oferta de crédito com condições especiais para pessoas e empresas interessadas em investir em mini e microgeração distribuída.