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segunda-feira, 6 de agosto de 2018

RIBEIRINHOS TROCAM DIESEL PELA ENERGIA DO SOL


Fonte:www.gsnoticias.com.br/noticia-detalhe/ribeirinhos-trocam-diesel-pela-energia-sol






Casa de ribeirinho na Reserva Extrativista Verde para Sempre, no norte Pará: o painel de energia solar, à esquerda, foi montado prevendo as cheias do rio.

Comunidades ribeirinhas que vivem em uma reserva extrativista na Amazônia do tamanho do Estado de Sergipe estão trocando energia gerada a diesel, cara e poluente, pela do Sol, mais barata, limpa e disponível.
A iniciativa ocorre no norte do Pará e acende a luz de 2.250 famílias espalhadas na reserva Verde para Sempre, no município de Porto de Moz. São pessoas que vivem do extrativismo, da pesca e da agricultura de subsistência e moram em palafitas de madeira.
O projeto é uma iniciativa do Ministério de Minas e Energia (MME) com recursos do Programa Luz para Todos, em conjunto com o Instituto Chico Mendes para a Biodiversidade (ICMBio) e os ministérios da Saúde e da Educação.
"Desconhecemos outro projeto deste tamanho na Amazônia", diz Domingos Romeu Andreatta, secretário-adjunto de energia elétrica da MME. Os empreendedores dizem que a construção e instalação de sistemas solares é "a maior em escala, potência instalada e quantidade de pessoas beneficiadas" do país.
Iniciado em outubro de 2017, o projeto tem investimento contratado de R$ 56 milhões e instalou sistemas de energia solar de 45 kWh ao mês em 2.151 casas, 64 igrejas e 35 salões.
"Isso significa que as famílias podem, agora, acender a luz, carregar o celular, assistir televisão, ter geladeira", diz Surya Mendonça, CEO da Órigo Energia, a empresa contratada pela distribuidora paraense Celpa para construir e instalar os sistemas solares.
Foram instalados sistemas de 90 kWh/mês em 66 escolas básicas. Outros de 180 kWh/mês fornecem energia a 14 escolas polo e quatro postos de saúde. Os ribeirinhos estavam espalhados em uma área de 1,3 milhão de hectares da reserva.
Foi um desafio de logística para os técnicos da Órigo Energia levar os pesados painéis solares pelos rios paraenses e navegar em uma área gigante, de 23 milhões de hectares no total.
A aventura começava ao carregar os pesados painéis solares nos barcos e levar dois dias para chegar a Porto de Moz. Outra experiência inusitada foi descarregá-los em lugares sem porto. Havia o perigo constante de os rios amazônicos estarem na mira de assaltantes. "Tivemos sorte e não nos aconteceu nada", conta o executivo.
Mendonça lembra os desafios de levar os painéis solares que chegavam em Belém vindos da China. São equipamentos pesados. "O telhado das casas poderia não aguentá-los, então construímos estruturas suspensas, acompanhando as palafitas, porque a água dos rios sobe muito quando vem a estação chuvosa", conta.
Ribeirinhos costumam viver isolados na Amazônia, as comunidades são pequenas e espalhadas por áreas gigantescas. A geração de energia é por diesel.
"Meu pai chegou aqui em 1916, eu nasci em 1957. Tenho 36 netos e cinco bisnetos", conta Guilherme Faria de Oliveira, em vídeo produzido pela Órigo Energia. "Gastava R$ 400,00 por mês com combustível, e tudo era puxado pelo motor", diz, referindo-se ao gerador a diesel. "Ligávamos o gerador todos os dias às 18h e seguia até a uma da madrugada", conta o ribeirinho.
A Órigo foi fundada em 2010 com o nome Empresa Brasileira de Energia Solar por quatro engenheiros. Depois foi vendida e passou a ser controlada por dois fundos de private equity, o americano TPG (antigo Texas Pacific Group) e pelo brasileiro MOV. Passou a chamar-se Órigo em 2017.
A Órigo atua no pulverizado mercado brasileiro da energia solar distribuída. A empresa opera em outro modelo de negócio, o das fazendas solares, que podem chegar a gerar até 5 MW.
Este novo segmento é moldado para pequenos estabelecimentos como restaurantes, bares, academias de ginástica, postos de gasolina. Eles pagam uma mensalidade para a fazenda solar e recebem créditos em sua conta de luz. "O cliente não faz nenhum investimento e economiza até 10% na sua conta", explica Mendonça.
A Órigo tem uma fazenda solar em operação em Minas desde outubro e mais três entrando em operação. A sede da empresa fica em Campinas (SP). Tem 115 funcionários e faturamento de R$ 50 milhões em 2017.
"Esta solução servirá de modelo para atender áreas onde não for possível a extensão de redes de energia por motivos técnicos ou questões ambientais", diz nota da assessoria de comunicação do Ministério de Minas e Energia.
Além da Resex Verde para Sempre, já está em andamento, no MME, um novo projeto para o atendimento de 1.361 casas de ribeirinhos nas proximidades da hidrelétrica de Tucuruí. Há um terceiro projeto em análise no Ministério, na região próxima à usina de Belomonte e um quarto, no Amazonas, para prover de energia solar 2.484 domicílios.
"Hoje este é o modelo mais adequado para providenciar energia a comunidades isoladas", diz Andreatta, do MME.
O Programa Luz para Todos alcançou 3,4 milhões de domicílios desde o início, em 2005, no Brasil.

O castigo virou riqueza em forma de energia


Fonte:especiais.jconline.ne10.uol.com.br/nordesterenovavel/panorama.php

Região nordeste brasileiro  detém 90% dos novos investimentos em energias renováveis




Pelos agrestes e sertões, um queimava a terra já seca, o outro arrastava o que houvesse sobre ela. Abrandamento só no litoral, onde garantiam brisa e pele dourada. Sol e vento no Nordeste costumavam remeter, paradoxalmente, a castigo ou diversão. Hoje são também riqueza. O que a natureza deu em abundância à região serve de combustível limpo para gerar eletricidade. Ao longo da última década, as mais diferentes paisagens nordestinas foram adornadas por sequências de torres eólicas: 79,5% de todas as que existem no País. Até as modernas placas fotovoltaicas, que convertem a luz do sol em energia, antes de custo elevado, começam a se espalhar pela caatinga. O que foi parte do motivo da pobreza da região agora é seu mais novo tesouro.
O desabrochar desse potencial aconteceu justamente enquanto todo o Brasil começou a sofrer com a escassez do que sempre faltou ao Nordeste: água. A irregularidade das chuvas pelo País afetou até um dos maiores complexos de reservatórios do mundo, o Sistema Cantareira – responsável por abastecer a cidade de São Paulo. Seu nível chegou a ficar 20% abaixo do volume útil em janeiro de 2015, de acordo com a Agência Nacional de Águas (ANA). Com a matriz energética brasileira 60% baseada na produção hidrelétrica, a falta de água se tornou um problema também para a geração de energia de Norte a Sul.
Menos água no Brasil e ainda menos no Nordeste. A escassez ficou evidente quando afetou até o Velho Chico – responsável por transformar em oásis alguns trechos do Sertão. Principal reservatório da bacia do São Francisco, Sobradinho (BA) chegou a ter apenas 5% de sua capacidade em 2015. E é lá onde está armazenada a água que gera 70% da energia hidrelétrica produzida no Nordeste. “Não temos água suficiente nos reservatórios, e até as térmicas são projetadas para funcionar em situações eventuais. Então, se não fossem as eólicas, o Nordeste estaria sem energia, com perdas enormes para a economia local”, afirma o vice-presidente da World Wind Energy Association (WWEA) e presidente da Eólica Tecnologia, Everaldo Feitosa.
Os ganhos para a economia nordestina foram enormes com a instalação dos parques movidos a vento. De acordo com a Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), desde o primeiro leilão que contemplou essa fonte (2009) até 2017, foram investidos no País R$ 100 bilhões, dos quais R$ 80 bilhões (80%) ficaram no Nordeste. Essa concentração se deve às características naturais nordestinas, como relevo, clima e latitude, que tornam a região um dos locais com maior potencial eólico do mundo. “Não temos ventos muito velozes só no Litoral – que foi inicialmente explorado –, mas também ventos constantes no interior, uma característica muito importante para a produção eólica. E ainda temos diversas áreas com potencial a ser descoberto”, garante o professor do Centro de Energias Renováveis (CER) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Pedro Rosas.

Distribuição dos investimentos pelo Nordeste

Clique no mapa para saber onde estão os parques eólicos e solares de cada Estado:



quinta-feira, 2 de agosto de 2018

As Mudanças no Valor dos Veículos Com a Rota 2030


Fonte:leonardo-energy.org.br




A chamada Rota 2030, nova regulamentação automotiva no Brasil, entra como substituição do Inovar Auto e sua validade será mais extensa.
Conforme informado pelo presidente da ANFAVEA, Antonio Megale, o objetivo da Rota 2030 não é reduzir o preço dos veículos, mas sim, que o valor economizado com a redução das alíquotas de impostos permaneça com as montadoras, que poderão investir ainda mais em pesquisas e desenvolvimentos.
Mas é importante ressaltar que tanto carros híbridos quanto elétricos ficarão mais baratos a partir do mês de novembro. A alíquota de IPI que hoje é de 25% passará para uma faixa entre 7% e 20% resultando em uma queda no preço dos carros que se enquadram nessa categoria.
A alteração da alíquota para veículos híbridos e elétricos dependerá da eficiência energética de cada modelo e também de seu peso. Para os híbridos com eficiência igual ou menor a 1,1 MJ/km, o imposto será de 9% para carros até 1.400 kg, 10% entre 1.401 kg e 1.700 kg e 11% se for acima de 1.701 kg. Já entre 1,11 MJ/KM e 1,68 MJ/KM o imposto sobe para 12% até 1.400 kg, 13% entre 1.401 kg e 1.700 kg e 15% acima de 1.701 kg. Para elétricos, o cálculo e peso são os mesmos, porém com imposto mais baixo: menor ou igual a 0,66 MJ/km terá imposto de 7% (até 1.400 kg), 8% (entre 1.401 kg e 1.700 kg) e 9% (acima de 1.701 kg).
Além da alteração do IPI, outro item que será muito percebido na carteira do consumidor o consumo de combustível, pois o Rota 2030 também prevê uma significativa melhora da eficiência energética de 11%, o que significa uma economia nos automóveis.

Governo prevê redução do IPI para carros elétricos e híbridos


Fonte: www2.camara.leg.br/camaranoticias/noticias

Reportagem - Luiz Cláudio Canuto  /  Edição – Wilson Silveira

Desde 2012, foram emplacados no Brasil cerca de 8 mil veículos híbridos e elétricos




Audiência na Comissão de Transportes discute incentivos aos carros elétricos e híbridos
Will Shutter/Câmara dos Deputados


Em debate na Comissão de Viação e Transportes da Câmara sobre eletromobilidade, a representante do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Margarete Gandini, disse que o governo trabalha pela definição de um novo regime de benefícios para o setor automotivo, o Rota 2030. Esse regime deve prever, entre outras medidas, a redução imediata do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de veículos elétricos ou híbridos. Para os demais veículos, a redução de IPI deverá ocorrer a partir de 2022.
No Brasil, o preço de um automóvel sofre incidência de 11,6% de PIS/Cofins e 12% de ICMS, além do IPI, que aumenta bastante o preço final, ainda mais se o carro for elétrico. Enquanto um carro com motor 1.8 paga 11% de IPI, o automóvel híbrido, ou seja, elétrico e de combustão, paga 13% de IPI. Se for um carro elétrico importado, paga 25% de IPI. Nesse caso, o total de impostos chega a 49%. Nos automóveis comuns, os impostos alcançam 35% do preço final.
Importação

Margarete Gandini, que é diretora do Departamento das Indústrias para Mobilidade e Logística do ministério, disse que o governo tem interesse na eletromobilidade. Tanto que, desde 2014, reduziu a zero o Imposto de Importação de veículos híbridos e elétricos (Resoluções Camex 86/2014, 97/2015, 27/2016). Nos últimos tempos, também têm surgido incentivos estaduais e municipais. A diretora afirma, no entanto, que, diferentemente de outros países que dependem de combustível fóssil, o Brasil não tem essa característica; portanto, não é interessante substituir sua matriz energética, apenas complementá-la.

"A visão do governo é que temos de caminhar para uma matriz cada vez mais limpa de transportes com uma convivência com essas diferentes tecnologias", afirmou.
Nas ruas brasileiras, quase 7 entre 10 automóveis são bi-combustível e, ainda que o motorista prefira gasolina, a adição de 27% de etanol ajuda a reduzir a emissão de poluentes. O automóvel elétrico e o híbrido aumentam as opções.
Segundo o representante da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) na audiência, Thiago Sugahara, desde 2012 foram emplacados no Brasil cerca de 8 mil veículos híbridos e elétricos.

"Temos em torno de 150 pontos de recarga instalados em várias localidades. Acho que é uma questão de informação e atitude, coordenação por parte do governo na criação de uma infraestrutura e viabilidade na chegada da tecnologia com incentivos para o consumidor. Precisamos motivar o consumidor a querer essa tecnologia", disse.A vice-presidente e coordenadora de eletromobilidade da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea), Gleide Souza, afirma que, enquanto não há um plano de incentivo para esse tipo de veículo no Brasil, as montadoras de forma isolada vêm montando infraestrutura por iniciativa própria.

Coordenador da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Eletromobilidade e autor do pedido para realização do debate sobre o assunto, o deputado Marcelo Matos (PSD-RJ) destaca que há 21 projetos relacionados ao tema parados na Câmara.
"A gente vai agora buscar dar uma atenção especial dos projetos da frente parlamentar, buscando relatores, para que possam ser aprovados o mais rapidamente possível", afirmou.
O Brasil tem 27 fabricantes de automóveis e 65 plantas industriais com capacidade de produção de 5,05 milhões de unidades por ano. A indústria gera 1,3 milhão de empregos diretos e indiretos. O setor é responsável por 4% do PIB.

terça-feira, 31 de julho de 2018

Toyota planeja veículos mais inteligentes e mais limpos para as Olimpíadas de Tóquio 2020



A Toyota planeja usar as Olimpíadas de 2020 em Tóquio para mostrar o futuro do transporte.


Fonte:www.climateactionprogramme.org/




Uma série de veículos elétricos mais limpos e inteligentes será revelada no evento para acomodar cerca de 15 milhões de visitantes que vêm à enorme capital do Japão.
A Toyota está trabalhando com o Comitê Organizador de Tóquio 2020 para tornar o evento o que eles esperam ser o mais inovador e sustentável da história olímpica.
Isso inclui o fornecimento de uma frota de 3.000 veículos de passageiros, incluindo veículos elétricos a hidrogênio de emissão zero, a scooter de mobilidade pessoal i-Road de um só assento e os ônibus de célula de combustível.
Convidados e atletas também se beneficiarão do transporte em torno dos jogos com uma frota de veículos e-Palette.Estes são veículos elétricos totalmente automatizados que são especialmente projetados para fornecer serviços, como deixar pessoas em casa, lojas ou restaurantes.



Um design conceitual para o novo e-Palette. 
O veículo elétrico totalmente automatizado estará em uso durante os jogos.

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Microgeração ultrapassa 400 MW no Brasil



Fonte:www.brasilenergia.editorabrasilenergia.com.br

Se ritmo for mantido, segmento pode ultrapassar os 500 MW até o final do ano; modalidades fora da unidade consumidora podem sofrer com nova regulação





As usinas de micro e minigeração distribuída instaladas no Brasil ultrapassaram os 400 MW de capacidade, o equivalente a 0,25% da capacidade total de geração atualmente em operação no país. De acordo com dados da Aneel consultados nesta quarta-feira (25/07), são 400,923 MW, de 33,179 mil usinas que geram créditos para 46,665 mil unidades consumidoras
Dessa capacidade total, 35% foi instalada apenas em 2018 – 143,7 MW. O ritmo é de aproximadamente 20,5 MW por mês. Se mantido ao longo dos próximos meses, a geração distribuída de pequeno porte pode superar 500 MW até dezembro.
Vale lembrar que o segundo semestre tende a ter volume maior de instalações: em 2017, do total de 172 MW instalados (correspondentes a 43% da capacidade atual), 111 MW foram registrados na Aneel no segundo semestre. Em 2016, durante a segunda metade do ano foram conectados 41,3 MW, de 68 MW instalados no total.
Por fonte
A modalidade, que permite que consumidores do mercado regulado invistam em usinas de até 5 MW para gerar créditos nas contas de energia, foi regulamentada em 2012, tem atraído investimentos principalmente na fonte solar e começou a deslanchar a partir do ano passado. Veja detalhamento por fonte:

Por classe de consumo
Desde 2017, a classe comercial se tornou o segmento com a maior capacidade instalada de geração distribuída de pequeno porte. Atualmente, corresponde a 46% de toda a capacidade instalada. O residencial, que ainda lidera em número de sistemas, consideravelmente menores, corresponde a 29%:


Revisão
A instalação na própria unidade consumidora ainda é a modalidade mais comum, correspondendo a 90% dos sistemas instalados e a 69% de toda a capacidade. O autoconsumo remoto, uma das modalidades introduzidas pela revisão da norma, de 2015, já representa 9,5% dos sistemas e 26,9% da capacidade total. Essas novas modalidades devem ser as principais afetadas pela próxima revisão da regulação da microgeração, prevista para 2019, caso o que é proposto pela Aneel seja mantido. O entendimento é o de que sistemas que não estão localizados na própria unidade consumidora demandam mais da rede e deveriam pagar mais pelo seu uso. Por outro lado, o setor defende que há benefícios para a rede com a instalação, que também deveriam ser remunerados.

quarta-feira, 25 de julho de 2018

Geoengenharia climática afetaria sobretudo países mais pobres


Fonte:www.inovacaotecnologica.com.br




Contra a geoengenharia climática
A colocação de espelhos gigantescos em volta da Terra com o intuito de refletir parte da radiação solar e o lançamento de milhões de toneladas de enxofre na estratosfera para simular efeitos de uma grande erupção vulcânica são alguns dos projetos mirabolantes da geoengenharia climática que começam a ser discutidos pelos cientistas para tentar mascarar o aquecimento do planeta.
Ocorre que o impacto desse tipo de iniciativa sobre o ecossistema global ainda é muito incerto.
E, segundo um alerta publicado pela revista Nature, a única certeza é que os países em desenvolvimento serão os mais afetados - tanto pelos efeitos das mudanças climáticas em si como pelas estratégias que venham eventualmente a ser implementadas na tentativa de frear a elevação da temperatura.
O texto é assinado por cientistas de países como Bangladesh, Etiópia, Índia, Jamaica, Quênia e Tailândia - são quatro autores e oito cossignatários. Do Brasil, assina Paulo Artaxo, professor do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) e membro da coordenação do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais.
Para o grupo, a adoção de geoengenharia não pode ser uma alternativa à redução de emissões de gases de efeito estufa. "Reconhecemos os potenciais riscos físicos e implicações sociais e políticas. E nos opomos à sua implantação até que a pesquisa sobre sua segurança e eficácia tenha sido concluída e que os mecanismos de governança internacional tenham sido estabelecidos. Mas estamos comprometidos com a coprodução de pesquisa e com o debate bem informado", afirmaram os cientistas na revista.
Burrada maior
De acordo com Artaxo, projetos dedicados a criar modelos computadorizados para estudar os resultados de estratégias de geoengenharia climática têm sido conduzidos em países como Estados Unidos, Inglaterra e Alemanha, mas por enquanto sem a participação de cientistas de países em desenvolvimento.
O interesse pelo tema cresce à medida que aumentam as evidências de que o Acordo de Paris - assinado por 195 países em 2015 para conter as emissões de gases estufa - não será suficiente para limitar o aquecimento do planeta a 2 ºC acima dos níveis pré-industriais.
O Mar de Aral praticamente desapareceu depois de uma das primeiras experiências de manipulação de ecossistemas feitas no mundo, mostrando que a geoengenharia deve ser vista com extrema cautela. [Imagem: Wikimedia]

"Se continuarmos no ritmo atual de emissões, o aumento médio da temperatura pode chegar de 4 a 7 ºC ao longo deste século. Para evitar o colapso dos ecossistemas que sustentam nosso planeta, talvez venha a ser necessário, em algum momento, o uso de geoengenharia. Mas sem estudos sérios e que envolvam todo o globo, corremos um grande risco de fazer uma burrada ainda maior com o clima do que já estamos fazendo hoje. Um erro na aplicação de qualquer técnica pode matar centenas de milhões de pessoas de fome, sede e outras causas," disse Artaxo.
Pesquisas feitas até o momento indicam que as técnicas de geoengenharia climática poderiam contribuir para resfriar temporariamente a Terra, porém com efeitos adversos consideráveis, que podem até ser piores que os malefícios que tentam combater.
Experimentos de geoengenharia
Uma das estratégias já testadas em pequena escala até agora foi o lançamento de ferro solúvel no oceano - medida que aumenta a absorção de dióxido de carbono (CO2) pela biota marinha.
"Isso de fato pode ser eficaz para remover CO2 da atmosfera, mas causa a forte e rápida acidificação da água do mar. Simulações sugerem que a adoção dessa medida em larga escala poderia reduzir em muito o pH dos oceanos, o que significaria a extinção de praticamente todas as espécies marinhas," disse Artaxo.
Já no caso do lançamento de enxofre na estratosfera, os principais impactos seriam sentidos pelas plantas que dependem de radiação solar direta para fazer fotossíntese de maneira eficiente. "Esse tipo de técnica pode beneficiar espécies mais capazes de realizar a fotossíntese com radiação difusa. Ou seja, alteraria muito a biodiversidade do planeta, sem que a humanidade tenha qualquer ideia do impacto no longo prazo", afirmou.

Para Artaxo, contudo, não são as questões físicas e químicas as que mais preocupam e sim como seria a governança do processo. Uma vez que as medidas adotadas por um único país poderão afetar todo o planeta, quem será o responsável por decidir qual técnica aplicar, em qual momento, em quais locais e com qual dimensão? Quem vai arcar com os prejuízos eventualmente sofridos por determinadas nações? E, acima de tudo, quem pode garantir a continuidade da implementação das medidas adotadas ao longo de 100 ou 200 anos?

geoengenharia pode desacelerar o ciclo da água na Terra inteira. [Imagem: Kathleen Smith/LLNL]

"Imagine que começamos a lançar enxofre na atmosfera e, após uma ou duas décadas, a medida se torne inviável devido a uma forte crise econômica internacional ou uma grande guerra mundial. Toda a temperatura do planeta que foi reduzida ao longo do período de aplicação pode voltar em apenas um ano", alertou Artaxo.
De fato, um estudo recente mostrou que, se começar, a geoengenharia não poderia ser interrompida rapidamente sob risco de tornar as coisas muito piores.
Esta não é a primeira vez, e certamente não será a última, que grupos de cientistas com preocupações mais amplas vêm a público chamar a atenção para os riscos e ameaças da geoengenharia:
Bibliografia:

Developing countries must lead on solar geoengineering research
A. Atiq Rahman, Paulo Artaxo, Asfawossen Asrat, Andy Parker
Nature
Vol.: 556, 22-24
DOI: 10.1038/d41586-018-03917-8