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quinta-feira, 2 de maio de 2019














Novos projetos do setor fotovoltaico estimulam investimentos da indústria brasileira

Perspectiva de aumento do uso de energia solar no País nos próximos anos deve criar demanda por produtos e serviços, trazendo novas oportunidades para empresas de diversos segmentos

Fonte: www.dci.com.br


Por: RICARDO CASARIN • SÃO PAULO

Usina do grupo Alexandria: companhia estima até R$ 200 milhões 
em novos empreendimentos em 2019 FOTO: 

A perspectiva de expansão dos projetos de energia solar no Brasil e o aumento da demanda por serviços e equipamentos têm motivado investimentos da indústria. Empresas esperam crescimento de até 40% da receita do segmento em 2019.

“Há uma participação crescente de fontes renováveis no País e existe um espaço grande para contribuir com nossos clientes, desenvolvendo uma consultoria mais profunda no segmento”, afirma o diretor geral América Latina da fabricante Fluke, Hector Trabucco.
Projeções da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) apontam que o setor deve ter um aumento de 44% na capacidade instalada em 2019, gerando até R$ 5,2 bilhões em novos investimentos. A entidade estima incremento de 88,3% do faturamento na comparação com 2018.
Esperando que esse cenário ofereça novas oportunidades, a Fluke, especializada em equipamentos de testes e medição na área industrial, lançou uma linha de produtos voltada para o setor fotovoltaico. “Podemos ter um papel importante ao ajudar a impulsionar esse mercado, identificando problemas e melhorando a eficiência dos equipamentos”, diz Trabucco.
A expectativa da companhia é de 25% de aumento das vendas nos produtos relacionados ao mercado de energia solar, como câmeras termográficas e ferramentas de controle. “Acredito que é um negócio que vai crescer muito mais ao longo dos próximos anos”, avalia o executivo.
A ABB, fabricante de tecnologias de energia e automação, firmou uma parceria com a Aldo, distribuidora de equipamentos de geração fotovoltaica, para a importação de inversores de energia e carregadores para veículos elétricos. “O mercado de mobilidade elétrica é novo, mas está em expansão e possuímos o know-how”, explica o diretor de marketing da divisão de produtos para eletrificação da ABB Brasil, Marcelo Vilela.


O executivo destaca que a companhia desenvolve produtos e soluções para o setor há dez anos e investe na infraestrutura para veículos elétricos no Brasil. “Já temos alguns marcos, como o corredor que liga as cidades de São Paulo, Campinas e Jundiaí, com pontos de recarga nas rodovias Anhanguera e Bandeirantes. Acreditamos no uso conjunto da mobilidade elétrica com a energia fotovoltaica.”
O presidente da Aldo, Aldo Teixeira, acredita que o programa Rota 2030 irá incentivar o mercado de veículos híbridos e elétricos no País. “As grandes montadoras já estão lançando esses produtos. O papel da Aldo será fornecer uma infraestrutura para pontos de carregamento, com insumos fornecidos pela ABB.”
O executivo afirma que a empresa teve 40% de crescimento na receita em 2018 e espera repetir o número nesse ano. “A área está avançando bastante e com a expectativa de melhora econômica do País, a tendência é que a indústria e o comércio façam mais investimentos na melhora da eficiência energética.”
Empreendimentos
O grupo Alexandria, que trabalha com projetos de usinas de energia elétrica, tem expectativa de R$ 120 milhões a R$ 200 milhões em novos empreendimentos em 2019. “Vai depender da demanda. Para 2020, o alcance pode ser em torno de R$ 500 milhões. Temos obtido um crescimento expressivo”, assinala o CEO da empresa, Alexandre Brandão.
A corporação já conta com usinas construídas em empresas como a Ambev, grupo Positivo Tecnologia e Mufato. “Atuamos majoritariamente em empreendimentos de autogeração. Além de energia fotovoltaica, trabalhamos com outras fontes, como o biogás.”
Atualmente, a Alexandria possui mais de 33,3 quilômetros em sistemas implantados, que somam R$ 20 milhões em valor patrimonial. O grupo lançou uma plataforma própria para investimentos digitais, lastreados em todos esses projetos de energia. “É uma forma de investir e obter ativos diretamente da empresa. Enquanto o processo tradicional tem muitos custos e é lento, essa plataforma busca facilitar e reduzir custos para o investidor”, explica o executivo.

domingo, 28 de abril de 2019

Investimento de R$ 3,5 bilhões em energia limpa em Pernambuco






Pernambuco irá sediar o complexo solar fotovoltaico, considerado o maior do país. O investimento será de R$ 3,5 bilhões e deverá gerar, apenas no período de construção, cerca de mil postos de trabalho diretos. O acordo para o empreendimento ficar no estado foi selado pelo governador Paulo Câmara e o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Bruno Schwambach, durante reunião realizada ontem com o presidente da Solatio Energia, Pedro Vaquer Brunet, e Elvira Damau, sócia da empresa, responsável pelo aporte financeiro do complexo.

Localizado em São José do Belmonte (distante 474 km do Recife), o complexo fotovoltaico terá sete usinas, com capacidade instalada para gerar 1.100 Megawatts (MW) e perspectiva de entrar em operação comercial no início de 2021, com plena operação em 2022. O parque da Solatio foi projetado para ser o maior em território nacional e uma das principais referências no mundo. As obras serão iniciadas no primeiro bimestre de 2021, e a expectativa da empresa é contratar 400 trabalhadores somente nas proximidades do empreendimento.

“É um investimento que dialoga com o que a gente quer, que é a energia limpa. Um investimento importante em um momento difícil, quando ninguém está investindo, e a Solatio está vindo a Pernambuco, gerando emprego e renda. Nós estamos sempre dialogando com empresas e investidores, que têm a certeza de que o nosso estado os ajudará a avançar em seus projetos”, destacou o governador Paulo Câmara.

Já Schwambach ressaltou que o estado está preparado para receber o empreendimento por conta dos investimentos de infraestrutura que estão sendo realizados. “Temos buscado ativamente os empreendedores, seja para participar dos leilões ou implantar projetos mirando o mercado livre. Dentro do nosso programa de energia, é preciso destacar o Atlas Eólico e Solar, um mapeamento feito especificamente ao investidor, que mostra o potencial de Pernambuco para geração de energia através de fontes renováveis. Fora isso, o governo estadual tem incentivado a geração distribuída com o PE Solar”, observou o secretário.
De acordo com informações do governo de Pernambuco, o conjunto de investimentos previstos, a ser distribuído numa área de 2.270 hectares, está em sintonia com o plano de longo prazo lançado pelo estado, ainda em 2013, quando promoveu o primeiro leilão de energia solar do país, precedendo, inclusive, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). 

A Solatio Energia conta com 20 anos de experiência no setor fotovoltaico e, atualmente, trabalha com projetos que representam investimentos da ordem de R$ 16 bilhões no Brasil. A empresa atua no país desde 2009 e hoje executa projetos solares na América Latina. Até agora foram 6,6 GW produzido, totalizando 14.591.302 MWh em energia gerada. No final de 2017, a empresa foi vencedora de dois dos cinco projetos de usinas solares anunciados para Pernambuco dentro do leilão de energia A-4, realizado pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE). “Dos 1,1 mil megawatts-pico, 80 mwp correspondem ao leilão que vencemos em dezembro de 2017, com previsão de entrarmos em operação em janeiro de 2021. Os restantes são fruto de um contrato no mercado livre”, disse o presidente da empresa, Pedro Vaquer Brunet.

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Conciliação entre metas do Acordo de Paris e estratégias nacionais é tema de artigo da Nature assinado por pesquisadores da Coppe






Estudo realizado por pesquisadores de 16 países que respondem por 74% das emissões mundiais de gases de efeito estufa concilia as estratégias desses países com as metas do Acordo de Paris, o qual limita o aquecimento global a 2ºC acima dos níveis pré-industriais. Os resultados desse trabalho foram publicados em artigo, na Nature Climate Change, dia 25 de março, que tem entre seus autores o professor Emilio La Rovere, e o pesquisador Cláudio Gesteira, ambos do Programa de Planejamento Energético da Coppe/UFRJ, sob o título “A pathway design framework for national low greenhouse gas emission development strategies”.
Os pesquisadores desenvolveram caminhos para que 16 países cheguem à metade do século com baixas emissões de CO2 e equivalentes. Esse trabalho é fruto de uma colaboração entre pesquisadores de diferentes países, reunidos no “Deep Decarbonization Pathways Project (DDPP)”. No artigo, os autores descrevem como o framework inovador pode apoiar o desenvolvimento de estratégias setoriais e tecnológicas em cada país consistentes com as metas climáticas do Acordo de Paris.
O projeto é coordenado pelo Instituto pelo Desenvolvimento Sustentável e Relações Internacionais (IDDRI) e pela Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável (SDSN).
A proposta do DDPP é estabelecer uma abordagem metodológica que combine elementos-chave dos Modelos de Avaliação Integrada (IAM) globais e a literatura de estudos das economias nacionais, setor a setor, “de baixo pra cima”. Isso permite a formulação de estratégias nacionais consistentes com as circunstâncias locais e as prioridades políticas de cada país.

Novos métodos para reduzir as incertezas


De acordo com os pesquisadores, a evolução das tecnologias, condições socioeconômicas e políticas levam a uma grande incerteza a previsões e mesmo a cenários exploratórios. Neste contexto, métodos tradicionais para análise de risco e tomada de decisão não seriam apropriados. A identificação de diferentes estratégias em resposta aos vários futuros plausíveis apoia um processo de tomada de decisão adaptativo, que permite aos agentes políticos aprenderem e se ajustarem a esta evolução.
As projeções dos IAMs ajudaram a demonstrar que o cenário global de baixa emissão é possível, esclarecendo que a meta de restringir o aquecimento global a 1,5ºC requer que o “resultado líquido” (diferença entre emissão e captura de CO²) seja zero ou mesmo negativo até 2050-2075.
A meta climática do Acordo de Paris é segurar o aumento da temperatura média global no limite de 2ºC acima dos níveis pré-industriais e envidar esforços para que esse aumento, na verdade, seja limitado a 1,5ºC. Isso requer emissões zero (cada emissão “positiva” seria compensada por captura de carbono) de gases causadores de efeito estufa (GEE), na segunda metade do século XXI, como forma de respeitar o limite (“budget”) de até 1.200 gigatoneladas de equivalentes de CO2 remanescentes a serem emitidas.
Segundo o professor Emílio La Rovere, o estudo foi calibrado tendo como meta limitar o aquecimento global em 2ºC. “O cenário de 1,5ºC é o cenário tido como ótimo, mas fica cada vez mais improvável devido à demora dos países em caminharem nesse sentido”, avalia La Rovere, ressaltando que para que as metas globais sejam viabilizadas, as políticas devem ser efetivas em nível nacional.
O Acordo requer que as Partes submetam Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs na sigla em inglês), representando o compromisso voluntário de cada país, no horizonte de 10 a 15 anos, à luz dos objetivos acordados coletivamente. As NDCs devem ser relacionadas a outras metas de desenvolvimento, como as Metas de Desenvolvimento Sustentável (SDGs), que incluem mitigação da pobreza, geração de empregos e acesso à energia. Devido à notória falta de ambição da primeira rodada de NDCs, o Acordo de Paris requer que as Partes submetam novas metas a cada cinco anos.

segunda-feira, 22 de abril de 2019

Toyota produzirá no Brasil 1º híbrido flex do mundo










TOYOTA APRESENTA NO BRASIL PRIMEIRO VEÍCULO HÍBRIDO FLEX DO MUNDO
 (FOTO: DIVULGAÇÃO)


O presidente da Toyota Brasil, Rafael Chang, anunciou na última quarta-feira, 17, que o novo Corolla brasileiro será o primeiro veículo do mundo a ser equipado com propulsão híbrida flex. O anúncio foi feito em encontro com o governador de São Paulo, João Dória, no Palácio dos Bandeirantes, reunião que também contou com a participação de outros executivos da multinacional japonesa.
A fábrica da Toyota em Indaiatuba (SP) será encarregada da produção do novo modelo, que deverá começar a partir do mês de outubro. O projeto receberá investimento de R$ 1,6 bilhão e deverá gerar 900 empregos diretos. A planta de Indaiatuba também vem sendo modernizada desde setembro do ano passado, quando foi anunciado investimento de R$ 1 bilhão na unidade.
Pioneiro no mundo, o modelo hibrido flex do Corolla teve grande parte do seu desenvolvimento tecnológico realizado no Brasil, por engenheiros japoneses e brasileiros. “O mais importante deste projeto é que estamos juntando duas tecnologias muito limpas, a tecnologia hibrida e a do etanol”, comentou Rafael Chang.
Conforme a montadora, o Novo Corolla será o único veículo a contar com um motor elétrico e outro de tecnologia flexfuel. “Com essa motorização, será o automóvel movido a etanol mais eficiente do Brasil e o híbrido mais limpo do mundo”.
De acordo com o presidente da Toyota Brasil, o modelo, que comporá a 12ª geração do Corolla, pode impulsionar um novo ciclo de evolução tecnológica no país, estando perfeitamente alinhado com os propósitos do Programa Rota 2030, que busca, entre outros objetivos, estimular a produção de veículos mais eficientes.
A nova geração do automóvel tem previsão de chegada às concessionárias brasileiras no último trimestre de 2019. Para os mercados latino-americanos onde o veículo é exportado – Argentina, Paraguai, Uruguai, Chile, Peru e Colômbia – a Toyota planeja sua comercialização a partir do primeiro semestre de 2020.
De acordo com o governador João Dória, com o investimento anunciado pela Toyota, a montadora poderá se enquadrar no Programa IncentivAuto, que tem como objetivo modernizar e aumentar a produção automotiva no estado, gerar novos empregos e aumentar a receita a partir da oferta de descontos progressivos, de até 25%, do ICMS devido nos produtos fabricados localmente.

sábado, 20 de abril de 2019

Relatório da ONU revela ação urgente necessária para combater a poluição química



De acordo com um relatório da ONU, os países não cumprirão o objetivo acordado internacionalmente de minimizar os impactos adversos de produtos químicos e resíduos até 2020.

















De acordo com um relatório da ONU divulgado na segunda-feira, os países não cumprirão o objetivo acordado internacionalmente de minimizar os impactos adversos de produtos químicos e resíduos até 2020.
O segundo Global Chemicals Outlook, apresentado na Assembléia do Meio Ambiente da ONU em Nairobi, revelou que a atual capacidade de produção química de 2,3 bilhões de toneladas, avaliada em US $ 5 trilhões por ano, deve dobrar até 2030.
As Nações Unidas reconhecem a importância das substâncias químicas no século XXI, sendo encontradas em uma ampla gama de indústrias. No entanto, a menos que a gestão sólida de produtos químicos e resíduos seja alcançada em todo o mundo, o aumento previsto na produção química terá efeitos negativos sobre a saúde humana e as economias.
A prevalência da indústria em nossa sociedade não pode ser subestimada; a produção química é atualmente a segunda maior indústria de manufatura do mundo e não mostra sinais de desaceleração. Desde 2000, a capacidade de produção da indústria química mundial praticamente dobrou, de 1,2 para 2,3 bilhões de toneladas. Se os produtos farmacêuticos fossem incluídos, as vendas globais totalizariam US $ 5,68 trilhões. Em 2030, esses números devem dobrar novamente.
Em 2018, a Agência Europeia do Ambiente divulgou dados que revelaram que cerca de 62% do volume total de produtos químicos consumidos na Europa em 2016 eram perigosos para a saúde. Apesar dos compromissos de maximizar os benefícios e minimizar os impactos dessa indústria, os produtos químicos perigosos continuam a ser liberados no meio ambiente em grandes quantidades.
Embora a produção de alguns desses produtos químicos possa ser essencial, o uso ineficiente de recursos durante a produção é tudo menos isso. Os produtos farmacêuticos geram pelo menos 25 kg de emissões nocivas e resíduos para cada quilo de produto.
"Se o crescimento em produtos químicos se torna um resultado positivo líquido ou negativo para a humanidade depende de como lidamos com o desafio dos produtos químicos", disse Joyce Msuya, Diretora Executiva Interina da ONU para o Meio Ambiente. "O que está claro é que devemos fazer muito mais juntos."
Sem uma implementação mundial adequada da gestão de produtos químicos e resíduos, os riscos impostos à saúde humana e ao meio ambiente são altos.
Em 2017, a OMS informou que cerca de 1,6 milhão de mortes ocorreram devido a cânceres e doenças cardiovasculares podem ter sido evitáveis ​​por meio de um bom gerenciamento e redução de substâncias químicas no meio ambiente, embora isso seja provavelmente subestimado. Evidências sugerem que a poluição química não é apenas perigosa para os seres humanos, mas ameaça uma ampla gama de serviços ecossistêmicos.
O relatório conclui que muitos tratados internacionais, que foram elaborados para abordar questões e produtos químicos específicos, tiveram enorme sucesso na redução da exposição a substâncias químicas específicas, outros não conseguiram causar um impacto significativo na comunidade internacional.
Os benefícios de agir antes que seja tarde demais foram estimados em dezenas de bilhões de dólares por ano. Esses custos estão relacionados a perdas de produtividade, custos de assistência médica, danos aos ecossistemas e custos de litígios.
"As descobertas do segundo Global Chemicals Outlook são muito importantes para os países em desenvolvimento", disse David Kapindula, membro do comitê diretor do relatório, da Agência de Gestão Ambiental da Zâmbia. "Eles destacam a implementação desigual de produtos químicos e gestão de resíduos e apontam para oportunidades para maior compartilhamento de conhecimento, desenvolvimento de capacidade e financiamento inovador."
Apesar disso, soluções existem se a ação for levada a sério e rapidamente. Muitos governos estão tomando medidas regulatórias. Os consumidores estão exigindo produtos e produção mais seguros. Abordagens de gestão - da avaliação de perigos químicos à gestão de risco e análise do ciclo de vida - estão avançando.
No relatório, a ONU pede que a comunidade internacional compartilhe conhecimento e permita uma maior harmonização das abordagens de gestão de produtos químicos. Governos, organizações intergovernamentais, indústria e outras partes interessadas desenvolveram seus próprios métodos de avaliação de riscos químicos. Embora informações valiosas tenham sido aprendidas com esse processo, a ONU declara que “a experiência mostra que os recursos podem ser salvos através da colaboração internacional, como compartilhar e aceitar mutuamente dados, avaliações e classificações de perigos químicos”.
A implementação do Sistema Globalmente Harmonizado de Classificação e Rotulagem de Produtos Químicos seria particularmente útil para países em desenvolvimento e economias em transição, no entanto, a partir de 2018, mais de 120 países não conseguiram fazê-lo.

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Madeira gera eletricidade a partir do calor - sem queimar

Fonte: www.inovacaotecnologica.com.br


Não é preciso queimar a madeira para gerar eletricidade. [
Imagem: Tian Li et al. - 10.1038/s41563-019-0315-6]

Membrana de madeira
A mesma equipe da Universidade de Maryland, nos EUA, que criou uma madeira à prova de balas, uma madeira antichama e uma esponja de madeira, acaba de mostrar que esse material natural e renovável pode ser usado para gerar energia por meios não poluentes.
Tian Li e seus colegas criaram um dispositivo que transforma calor em eletricidade com base em íons.
Como as correntes iônicas são o princípio da bioeletricidade que permeia os seres vivos, a equipe espera estar abrindo caminho para aproveitar o calor do corpo humano para fornecer energia para aparelhos eletrônicos e implantes médicos.
Membrana iônica
Li transformou um pedaço de madeira em uma membrana flexível que mantém as nanoestruturas naturais da madeira, usadas pela planta para movimentar a água entre as raízes e as folhas. São canais com estrutura fractal que descem até a dimensão de uma única célula.
A membrana foi era envolta por eletrodos de platina e recebeu um eletrólito à base de sódio, que se infiltrou na celulose. Os íons de sódio do eletrólito adentram pelos micro e nano-canais, que então regulam o fluxo de íons do eletrólito e geram o sinal elétrico.
"As paredes dos canais carregados [eletricamente] podem estabelecer um campo elétrico que aparece nas nanofibras e, assim, ajudam a regular efetivamente o movimento de íons sob um gradiente térmico," explicou Li.
"Nós somos os primeiros a mostrar que este tipo de membrana, com suas matrizes expansivas de celulose alinhada, pode ser usada como uma membrana seletiva iônica de alto desempenho pela nanofluídica e para a transmissão molecular e estende enormemente as aplicações da celulose sustentável em nanoiônicos," finalizou ele.
Bibliografia:

Cellulose ionic conductors with high differential thermal voltage for low-grade heat harvesting
Tian Li, Xin Zhang, Steven D. Lacey, Ruiyu Mi, Xinpeng Zhao, Feng Jiang, Jianwei Song, Zhongqi Liu, Guang Chen, Jiaqi Dai, Yonggang Yao, Siddhartha Das, Ronggui Yang, Robert M. Briber, Liangbing Hu
Nature Materials
DOI: 10.1038/s41563-019-0315-6